sábado, 31 de dezembro de 2011

50 Perguntas que Libertam a Mente: Respostas nº47 a 50

47. Quando foi a última vez que você reparou no som da sua respiração?
Anteontem. Isso porque ontem (que já era hoje, se me entendem rsrsrs) eu fui dormir levemente alcoolizado...  

Mas, eu reparo sempre. A minha respiração é "pesada" demais quando me deito, é impossível não reparar nela.

Pelo contrário, pra conseguir dormir, eu preciso esquece-la...
48. O que você ama? Suas ações recentes refletem este amor?
Eu amo tanta coisa, tanta gente...
Responder a essa pergunta HOJE é um bocado complicado... vou preferir fugir a ela, pra não fazer desse espaço algo que ele não deve ser.

No entanto, a verdade é que há algum tempo que as minhas ações não refletem o meu amor, isso é fato.
49. Daqui a 5 anos, você vai lembrar do que fez ontem? E ante-ontem? E o dia anterior?
Sim, vou lembrar. Daqui a 5, daqui a 10, daqui a 50... mas isso é apenas porque esses últimos dias têm sido dias decisivos no rumo da minha vida. Dias de acontecimentos que são marcantes para qualquer pessoa, impossíveis de serem esquecidos.

Fossem dias "normais", eu não me lembraria, simplesmente pela questão de ter uma memória horrível.
50. As decisões são feitas agora. A pergunta é: você está decidindo por si só ou deixando que outros decidam por você?
Agora estou decidindo por mim. Mas faz pouquíssimo tempo. 
A minha vida é completamente outra de um mês e pouco pra cá... antes disso, passei alguns anos deixando que decidissem por mim. Ou mesmo que não decidissem... acho que nem me importava, no fundo...

Agora não. Agora fui "sacudido" e "obrigado" a tomar as rédeas da minha própria vida, e é isso que estou fazendo.


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E assim chegamos ao fim de mais uma brincadeirinha que serve de terapia rsrsrsrs

Ano que vem tem mais... mas amanhã que conto tudo...

Obrigado a todos que passam por aqui para ler essa bobagem, e aproveito logo para desejar um feliz ano novo, já que a preguiça não me permite criar um post só pra isso...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

50 Perguntas que Libertam a Mente: Respostas nº43 a 46

43. Qual é a diferença em estar vivo e viver plenamente?
 
Simples até...
Estar vivo é respirar.

Viver plenamente é... aquela eterna busca do bicho homem.

Cada um considera que "viver plenamente" é um coisa diferente, então é muito subjetivo... eu ainda estou tentando descobrir o que é para mim
44. Quando vai ser o tempo de parar de calcular os riscos e apenas seguir adiante e fazer o que é certo?
 
Eu ESPERO que seja já agora.
Estou trabalhando para isso. Para que as mudanças necessárias não sejam mais adiadas...
45. Se aprendemos com nossos erros, por que temos tanto medo de errar?
 
Falo por mim, claro: Errar causa vergonha, constrangimento, machuca o orgulho...
Eu sou o tipo de pessoa que se cobra demais, que tem imensa dificuldade em se perdoar, que acha que nunca faz o suficiente... não, calma... não tô falando isso num sentido "atlético" e legal, como a gente vê nas matérias do "Globo Esporte", com aquelas musiquinha de superação e cobrança esportiva. Não é assim.

É de uma maneira dura e imbecil, de quem não se permite errar e muitas vezes se paralisa e não se permite, simplesmente porque as chances são baixas. De quem crê que só se age na "certeza", quando a certeza raramente existe...

Mas, no fim das contas, os erros são importantes demais. É preciso é compreende-los, aceita-los e saber seguir em frente sem neuras nem culpas...

Que venha 2012, pra provar que eu consigo...
46. O que você faria diferente se soubesse que ninguém te julgaria?
 
Absolutamente nada.
Eu pensei antes de responder. Tentei imaginar qualquer coisa... sério, não me veio nada a cabeça.

O primeiro a me julgar sou eu, e eu sou um juiz bem tinhoso comigo mesmo, então, aquilo que não me permito, não me permitiria do mesmo jeito, ainda que ninguém me julgasse...

Queira Deus



Hoje abraço destinos que escolhi
Por ter escolhido não escolher
Ajoelho em pregos de marfim
Aguardando a sanção do viver

Queira Deus, ou... como queira
Qu'eu sinta toda dor que me convém
Que meus passos tirem-me da beira
De tão alto precipício, ali além

Hoje, aqui de cima, de tão alto
Turva-se a vista, tamanha é a clareza
Enegrece o coração, pelo passado
Pelo futuro, não tenho bem certeza

Queira Deus qu'ele seja ensolarado
Como este dia, que a vida designou
Que fosse o dia de um ciclo fechado
Chegam e partem, trens de amor e dor

Mateus Medina
30/12/2011

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

50 Perguntas que Libertam a Mente: Resposta nº38 a 42

38. Você preferiria ter menos trabalho ou mais trabalho em algo que realmente goste?
Sem dúvida, mais trabalho com algo que eu goste realmente.
39. Você sente que viveu este mesmo dia 100 vezes?
ESTE dia de hoje, não.
ESTE dia de hoje tem peculiaridades que eu jamais vivi.

Agora, falando hipoteticamente em outro dia "qualquer", aí sim, já aconteceu.

Há alguns anos eu venho sentido que MUITAS vezes, mais do que o normal, um dia parece iguazinho ao outro...
40. Quando foi a última vez que você entrou na escuridão com apenas uma vaga luz de idéia de algo em que você acreditava?
Acho que estou vivendo isso agora, se é que compreendi bem a pergunta.
41. Se todos seus conhecidos morressem amanhã, quem você visitaria hoje?
Todos que desse tempo de visitar... que pergunta! rsrsrs
42. Você concordaria reduzir sua vida em 10 anos para ser super atraente ou famoso?
De maneira nenhuma.

As prioridades na minha vida são bem diferentes disso...

Além do mais, super atraente eu já sou. Ser famoso não vale 10 anos de vida... rsrsrs

50 Perguntas que Libertam a Mente: Resposta nº 33 a 37

33. Se você ainda não alcançou o que quer, o que tem a perder?
Nada. Na verdade, nunca se tem nada a perder, dependendo do ponto de vista.
É sempre a ganhar, desde que se consiga enxergar as coisas pelo melhor lado. O difícil as vezes é ter a serenidade necessária para tal.
34. Você já esteve com alguém, não disse nada, e saiu com a sensação de que teve a melhor conversa da sua vida?
Não. Isso é viagem...

Os olhares dizem muito, é verdade. Há momentos deliciosos que podemos passar sem nenhuma palavra ser dita, mas "a melhor conversa da sua vida" precisa de palavras, muitas palavras, e nada é capaz de substituir isso.
35. Por que religiões que pregam o amor causam tantas guerras?
Porque as religiões são formadas por humanos, e humanos distorcem tudo o que querem, ao seu bel prazer, para tirar vantagem e manipular os que se permitem.
36. É possível saber, sem sombra de dúvida, o que é bom e o que é mau?
Sim. Mas é muito raro.
Essa é uma das perguntas mais complicadas dessa série, porque as variáveis aqui são absurdamente grandes...

É certo que quase tudo nessa vida é relativo. Tem a ver com a época, o contexto, as razões envolvidas, etc...

No entanto, eu creio que há certo "valores morais" que podem ser discernidos sem sombra de dúvida.

É fato que a vida se encarrega, muitas vezes, de se aproveitar da transgressão desses valores para levar ensinamentos a quem precisa, para resolver questões de maneira estranha e irônica, afinal, a "vida" tem um humor assim mesmo...

Entretanto, isso não muda o fato de que é possível distinguir, com bastante clareza, que há ações que são inevitavelmente boas ou más em sua origem, ainda que as suas consequências sejam diferentes "lá na frente".
37. Se você ganhasse 1 milhão de dólares, largaria o seu emprego?
Sim, largaria.
É óbvio que um milhão de dólares (o que deve dar, sei lá, uns 800 mil Euros, eu acho...) não dá pra parar de trabalhar e nunca mais fazer nada da vida... aliás, mesmo que eu ganhasse muitos milhões, eu não faria isso. Agora, continuar no mesmo trabalho, isso não... talvez montasse qualquer coisa pra mim, ou simplesmente investisse mais na minha formação, com o sossego de não ter que "correr atrás"...

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

50 Perguntas que Libertam a Mente: Respostas nº28 a 32

Em primeiro lugar, uma breve explicação.

Resolvi responder 5 perguntas de uma só vez, para terminar esse projeto no fim desse ano. Mas por que?

Porque esse eu já comecei meio "torto". Não comecei no começo do ano, não postei uma resposta por semana conforme esperado... enfim, mas quero termina-lo, para poder começar no ano que vem um outro projeto que achei interessante.

Para poder arcar com esse comprometimento, achei melhor "matar" esse de uma vez.

Até o dia 31 de Dezembro vou postar 5 respostas por dia.

So... here we go!

28. O seu maior medo já se concretizou?

Não.

Espero que nunca venha a se concretizar... rsrsrs
29. Você se lembra algo que te deixou extremamente aborrecido há 5 anos? Hoje, aquele episódio importa?


Não lembro. Mas, isso não é sinal que não importou na época, nem que talvez não devesse importar hoje.


Eu tenho uma péssima memória (existe "memória sentimental", como existe inteligência sentimental? Alguém me ajuda?), é só isso.

Eu acho que como em tudo na vida, é preciso achar a medida, entre não dar valor a coisas que não devem importar, mas também não desvalorizar tudo. Há coisas que importam e merecem ser lembradas por cinco anos. É pena a minha memória não ajudar...
30. Qual é sua memória da infância mais querida? O que a faz tão especial?

Eu e minha prima Nara, tirando os sapatos do meu avô.

É difícil explicar o que a faz especial. É uma das poucas memórias que não me aparecem "borradas", sem rosto nem cheiro. É uma memória que tem rosto, cheiro, tato, tudo...

Sinceramente, não consigo explicar porque, talvez depois eu escreva um poema sobre ela, é mais fácil...
31. Quando no seu passado recente você se sentiu mais
vivo e intenso?

Há três semanas, talvez.
Quando eu consegui internalizar o "choque" do término do meu casamento. Quando um turbilhão de emoções, questionamentos, dúvidas, e mais um trilhão de coisas me assaltou ao mesmo tempo.

De repente eu me vi compreendendo coisas que eu provavelmente escondia de mim, de propósito, para não ter o trabalho de me mexer.

E aí, ironicamente, eu "entendi" que afinal, não era tudo tão complicado e trabalhoso como eu pensava... mas isso foi só depois do fim.
32. Se não agora, quando?

Vai ter que ser agora. Eu escolhi ser agora.

Ou isso, ou um futuro nebuloso me espera. Prefiro acreditar que será agora.

Há pessoas que "cozinham" e "digerem" mudanças com calma. Não parece ser o meu caso, então, tenho preferido acreditar que funciono pelo "choque".

Assim sendo, preciso aproveitar o "feeling" de que tem que ser agora, não dá pra esperar para depois.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Tênue

Das memórias que existem
Às que criei, é só um passo
Menos que isso, talvez...
Do meu desejo mais profundo
Ao desejo da minha carne
É outro passo, ou nem isso

Me confundo, me entrelaço
Me perco no percalço
De quem não sabe o que quer

Do adeus de há tanto tempo
Ao "olá" de agora há pouco
É um linha... bem fininha
Da negação de outros tempos
Ao clamor de tempo outros
É um piscar, menos até...

Me magoo, busco a dor
Como quem pune um réu confesso
Quando de fato, é só amor

Da tristeza instransponível
Ao sorriso que revive
É uma boca, ou nem isso
Da ausência de queimor
Ao calor incontrolável
É um pedaço de carne, ou língua

Quero querer! É preciso
Querer para estar vivo
E seguir essa estrada

Mateus Medina
26/12/2011

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Homem-relógio



Pobre relógio, crê aprisionar
O rebelde tempo que dele ri
Na incongruência de contar
O que existe só para fluir

Pobre homem, preso aos ponteiros
Do relógio; criador da ilusão
De que o tempo é algo certeiro
Bem ali, ao alcance das mãos

Pobres homens-relógio!
Enganam-se no caos da correria
Entopem de futilidades o ócio
E seguem suas vidas vazias

Mateus Medina
09/09/2011

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Absolvição



Ninguém quer te ver por aí
Jogado nesse canto imundo
De uma vida que só tem um fim
Completamente fora deste mundo

Ninguém quer te ver chorar
Pois, teus olhos embaçam o dia
É sempre tempo de recomeçar
Sem perder o encanto e a alegria

Ninguém te quer pôr um ponto final
A vida é cheia de possibilidades
Querem que encontres um sinal
E siga a tua vida; de verdade

Ninguém te quer ver infeliz
Só que pareças um tanto abatido
Compreenda de uma vez o que se quis
E poderás jamais ser absolvido

Mateus Medina
19/12/2011

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

50 Perguntas que Libertam a Mente: Resposta nº27

27. É possível saber a verdade sem antes questioná-la?

De maneira alguma.

Já dizia o poeta: "Não acredito em nada além do que duvido".

Simples como isso. Pra ser verdade, tem que superar os questionamentos, sem questionamentos não há verdades, só suposições...

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Com os pés fincados



Quando o vento vem;  furioso
Pronto a nada deixar de pé
Bato no peito; orgulhoso
De nunca abandonar minha fé

Quando vêm as águas; em revolta
Desejosas de me afogar
Finco meus pés na areia
Sou filho nascido do mar

Quando a noite tudo toma
Buscando em meus olhos temor
Se engana, julgando-se dona
Do que é só meu: minha dor

Quando a dor massacra e não cessa
Acredita me enlouquecer
Não sabendo que não tenho pressa
O tempo irá me reerguer

Mateus Medina
14/12/2011

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

50 Perguntas que Libertam a Mente: Resposta nº26

26. Você preferiria perder suas velhas recordações ou nunca poder construir memórias novas?

Preferia perder as antigas.


Com toda dor de perder memórias antigas - e isso seria completamente trágico -, considero que seria ainda mais trágico, nunca poder construir novas. Seria o equivalente a viver... sem viver.

Construir novas memórias é sinal de que se está vivo e ativo.


Estou considerando a pergunta de maneira filosófica e não literal.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O teu nome é perigo



Tens esses olhos tão castanhos
Que disfarçam-se de negros
Quando querem se esconder
Da cobiça de estranhos

Tens esse sorriso franco
Tão aberto e luminoso
Não permite indiferença
Aos que te querem tanto

Tens esse jeito meigo
De quem possui o mundo
E tens a força dos grandes
Que vencem o absurdo

Há ainda o que escondes
De quem flerta contigo
Armas secretas e letais
O teu nome é perigo

Mateus Medina
05/12/2011

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Sobre ser autobiográfico...

Há muitos, muitos anos, eu li uma entrevista do Herbert Viana, onde ele falava sobre o processo de composição, entre outras coisas.

Já naquela época, eu escrevia poesia (ou pelo menos, eu chamava aquilo de poesia…), e fiquei muito intrigado com algo que ele disse sobre a qualidade de uma composição.

Ele se referia a letras de músicas, mas na minha perspectiva, o que foi dito aplica-se a qualquer composição artística. Ele disse algo parecido com isso: “Limitar-se a compor canções autobiográficas, diminui a qualidade da obra. Desde o momento que deixei de ser autobiográfico em minhas composições, a qualidade da minha obra melhorou muito”.

Se não foi assim, foi parecido…

Nunca consegui esquecer essa entrevista. Ela me fez ler tudo o que eu havia escrito até ali, e realmente consegui constatar, passados alguns anos, que as minhas obras que vieram a seguir a essa entrevista, possuíam uma qualidade literária muito superior.

Noventa por cento daquilo que escrevo, nasce de uma “cena” imaginada. Um “flash”, que pode ser desencadeado por uma infinidade de situações, desde uma imagem, a uma música, uma frase, um olhar… a partir daí, eu invento uma sequência, um passado, um presente, um futuro… e assim nascem a maioria das minhas poesias. Eu deveria ter tido vergonha na cara e ter sido cineasta, mas isso é outra história…

Eu não preciso matar alguém para escrever sobre assassinato. Não preciso roubar para escrever sobre roubo. Não preciso estuprar para escrever sobre estupro. Tudo isso está aí, pelo mundo, nos rodeando. É só “pegar” e poetizar. Simples como isso.

No lado oposto disso, nada nos diz que quando estamos tristes, temos que escrever sobre tristeza. Que se estamos alegres, devemos escrever sobre alegria. Se estamos com raiva, precisamos escrever raivosamente... eu sempre exercitei o contrário, inclusive.

O caminho mais fácil é pegar aquilo que está ali "à mão" e jogar num "papel". Mas não é esse o caminho mais artístico, que busca explorar a infinidade de sentimentos, sensações e possibilidades. Novamente, Herbert Viana entra com a sua lição: Não se limite a escrever sobre o que sente.

Como a intenção desse blog é divulgar a minha arte, ainda que seja só para os amigos e conhecidos, dando uma "zapeada" nele, percebi que precisava reler mentalmente aquela entrevista, e me lembrar que o mundo não gira ao meu redor. Ninguém deve se crer tão importante ao ponto de fazer de si mesmo uma obra de arte. Se algum dia, você for importante a esse nível, alguém escreverá uma obra de arte sobre você…

So, let's move on!

domingo, 4 de dezembro de 2011

Um passo de cada vez



Primeiro um pé, depois o outro
O medo da queda; latente
Tente caminhar um pouco
Não fique paralisado e dormente

A dúvida nos passos seguintes
O receio de nunca alcançar
Tudo não é mais que um palpite
Por falta de onde se agarrar

A medida que avanças, percebes
Surgirem inesperados suportes
Aceita a ajuda, persegue!
Reprime a dor de antigos cortes

Não olhe para trás a procura
De ver o caminho ensanguentado
Apenas aceite: a tua cura
É fruto do sangue derramado.

Mateus Medina
03/11/2011

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Reconstrução


Quando o céu começa a passar
Do límpido azul ao negro
Sente-se a tempestade no ar,
O coração engasgado de medo

Violentos raios cruzam o céu
Num espetáculo horripilante
Degustamos o amargar do mel
Esperando o próximo instante

Contamos que a tempestade passe
Não sem alguma confusão
Fica sempre algum impasse
Dúvida, medo, solidão

Resta reerguer-se nos destroços
Reparar o que tem reparação
Levantar o alicerce do que é nosso
Duro trabalho para o coração

Mateus Medina
28/11/2011

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A minha morte (Parte II)



É brutal ser arrancado da bolha
E jogado no meio do nada,
Onde buracos negros sorridentes
Sugam toda a vida que há
Não enxerguei a foice,
Não vi o manto negro,
Nem senti o frio congelante
Estive distraído
A morte não é sempre igual
Não tem o rosto pálido,
Nem é sobrenatural
A morte é viva!
A minha morte vive,
E vive mais do que eu
A morte é cotidiana e vulgar
Não faz alarde, não chama atenção
Mina a alegria, simplesmente
Suga a vontade e a esconde
Num canto desconhecido,
Para que não se encontre
A morte é uma dor lancinante
Um canivete espetado no peito
Girando freneticamente
Até que a última gota de sangue
Se esvaia sem retorno

Mateus Medina
25/11/2011

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A minha Morte (parte I)

Quem diz que não dói morrer
Ou mente, ou nunca morreu
Quem não sabe, precisa saber
Para que não morra o “eu”

Umas mortes são como dormir
De repente se acorda... e pronto
Outras, como em buracos cair
Sai-se de um, entra-se noutro

A minha morte dói de tal maneira
Que nem a vida um dia foi capaz
De me ferir com flecha tão certeira
Como esta, que a morte me traz

Pensei estar mais preparado
Para a vinda desta senhora
Mas, como estar conformado
Se para mim ainda não era hora?

Mateus Medina
24/11/2011

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Meu silêncio



Meu silêncio não é tão-somente
Um fardo encerrado em si mesmo
Vai além da ferida a vista,
Da agonia calada na garganta
Tapada por sangue seco
É um castigo
É o avesso do próprio umbigo,
A revolta do mar contra o barco
Meu silêncio é doença
Se espalha sem chamar atenção
Aos poucos causa dormência
Explode mudo em solidão
Meu silêncio é o preço
O troco da implacável vida,
A prisão necessária e dolorosa
Que umas (poucas) vezes cura
E outras (muitas) enlouquece
Meu silêncio é a sobra,
É simplesmente o que me resta
Na vã tentação de gritar
Aos ouvidos surdos e impassíveis
O tamanho da minha dor e penar
Meu silêncio é efeito, não é causa
É o indesejado amargor,
Ministrado de uma só vez
Sem direito a lutar contra o revés
Anunciado em tempos de barulho
Meu silêncio é orgulho

Mateus Medina
21/11/2011

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Pela Janela



Passavas pela rua, desfilando
Bem juntinho a minha janela
Dizias o meu nome, cantando
Tinhas a voz de primavera

De lá de dentro não percebia
Que para fora nunca olhava
Ouvia tua voz, não reagia
Parecia que distante estavas

Cansaste daquela canção
Cantaste ainda outras tantas
Fui punido pela desatenção
Perdi o teu canto que encanta

Agora, eu de fora da janela
Batendo em total desespero
Implorando pela canção; aquela
Que me cantaste com desvelo

Mateus Medina
16/11/2011

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Insuficiente



A luz que beija o solo é suave
Pálida, amarela e fugaz
A escuridão desaba do céu; grave
Densa, negra e voraz

A alegria que pinta os rostos
Das inocentes crianças
Não chega pra tanto desgosto
De adultos sem esperanças

O sucesso de uns poucos
Não prova que tudo é possível
A tragédia de muitos outros
Mostra o mais acessível

O beijo nos lábios, guardado
Não chega para salvar
O nobre sentimento acuado,
Condenado a definhar

Mateus Medina
15/11/2011

50 Perguntas que Libertam a Mente: Resposta nº25

25. Cite algo pelo qual você é mais grato.

UMA coisa só? Desculpem, mas não dá.

Vou ter que "roubar" nessa, porque é sacanagem citar uma coisa só, eu com a minha personalidade esquisita, vou me sentir "traindo" outras coisas importantes. Claro que não dá pra citar tudo, mas umas três ou quatro já alivia a consciência... rsrsrsrs


Sou grato por ter nascido numa família que me passou princípios de vida decentes, que moldam o meu caráter até hoje. 


Sou grato pelas sucessivas oportunidades que a vida me "dá", mesmo que muitas vezes pareça o contrário.


Sou grato por ter conhecido a minha mulher. Tenho certeza que de alguma maneira super estranha e ainda incompreensível, ela veio me mostrar coisas que eu seria incapaz de ver sozinho.


Taí, três coisinhas só... um dia escrevo um livro sobre o resto... tenho razões pra ser grato por coisas demais =)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Perseguição




Perseguiste-me por muitas vidas
Nos meus calcanhares andaste
Espalhaste em meu corpo feridas
Da minha dor… zombaste

Por ti mutilado e queimado
Meu sangue em taça celeste
Bebeste com todo cuidado
De não o entornares nas vestes

Meu rosto ardido e descarnado
Agora é tudo o que enxergas
O espelho vês por outro lado
E para a morte escorregas

Mateus Medina
02/11/2011

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Presentinho...

Esse post não tem qualquer propósito além de fazer inveja *-*

Tipo assim:




Presentinho que eu ganhei da Pri, a moça do "Devaneios e Metamorfoses".

Ela não quer que eu agradeça, então eu não vou agradecer o.O

É só mesmo pra causar inveja e mais nada...

Trata-se da "trilogia de 5 livros" conhecida como "O Guia do Mochileiro das Galáxias".

O livro "1001 livros para ler antes de morrer" diz o seguinte sobre a coleção (sugado lá do blog da Pri):


"A 'trilogia em quatro partes' de Douglas Adams surgiu como uma série para o rádio transmitida pela BBC em 1978. O primeiro livro combina ficção científica com um humor ácido e irônico e alguma sátira oculta a tudo, da burocracia e polícia à poesia de mau gosto e o destino das canetas esferográficas... Quando a Terra é destruída para abrir caminho para uma estrada intergaláctica, o azarado Arthur Dent se descobre viajando pelo Universo com seu amigo Ford Prefect, que se revela um extraterrestre vindo de Betelgeuse. O trabalho de Ford é escrever "O guia do mochileiro das galáxias", uma brilhante fusão entre livro de viagem e guia tecnológico. Trechos do livro pontuam a narrativa, criando explicações hilárias para os fenômenos do universo. Os personagens excêntricos e bem construídos e um Arthur um tanto abismado criam uma espécie rara de alquimia numa obra de ficção surpreendentemente ágil e sofisticada.
.
Adams combina a criatividade impressionante com o conhecimento científico, ridicularizado explicitamente em nome do humor. Ele zomba com carinho do planeta e ao mesmo tempo o coloca novamente como centro do Universo."


Então é isso aí... não custa nada pedir emprestado um livro a um amigo que NÃO GOSTA de emprestar livros, pode ser que você ganhe de presente \O/

Muito obrigado, Pri. Adorei mesmo, bjos!!!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Voz e Piano



Canta esta voz aqui dentro
Suave, só ela e o piano
Sorri enquanto lamento
Não possuir qualquer plano

Andei por aí, pelo mundo
Tentando dela escapar
Vaguei em esgotos imundos
Dormi sem querer acordar

Mas ela aqui continua
Cantando a mesma canção
Dedilha o piano; nua
Negando-me a solidão

Busquei a morte nas ruas,
Nos becos, nas drogas, no bar
Disse-me a morte: “Ela é tua”
Negando-se a me libertar

Tantas vezes perguntei
O que desejava de mim
Sem responder só tocava
A mesma canção sem fim

Jamais via o rosto, só olhos
De puro desgosto estampado
O corpo esguio em retalhos
O piano ensanguentado

Um dia assim de repente
Cessou a voz seu cantar
Esperei pela morte; contente
Veio a voz em seu lugar

Já não cantava ou tocava
Recitava com profusão
O destino que me aguardava
Incerto até então

Tomou pelo braço a morte
E saíram a caminhar
Sumiram nas sombras do norte
Deixaram-me ali a tocar

Mateus Medina
04/11/2011

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Noites raras




Nas raras noites
Que não são de pesadelos
Envolve-me o teu cheiro
A maciez dos teus cabelos
Pulsa teu coração
No abraço que se desfez
Acordo. Durmo novamente
E sonho tudo outra vez

Nas raras noites
Em que sonho não sonhar
Volto ao começo
Recomeço a te amar
Aceito os meus defeitos
Caminho no teu passo
Corrijo os meus erros
E o futuro desfaço

Nas raras noites
Em que te encostas a mim
O presente, futuro do passado
Até parece remendado
Dobra-se o tempo
E acredito conseguir
A impossível missão
De não te deixar partir

Mateus Medina
03/11/2011

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Não quero flores




Para que servem as flores
Deitadas em cimento gelado?
Já cá não estou, são só dores
Do teu coração arrasado

Por que elegeste um dia
Para me homenagear?
A minha campa está vazia
Eu mesmo não ando por lá

Em verdade, de mim nada resta
Que não possas encontrar
Nas fotos daquela festa
Que principiou nosso amar

Se sofres a minha ausência
Recorde-se de mim a cantar

Mateus Medina
02/11/2011

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Silêncio travestido




No silêncio não encontro
A prometida paz de espírito
Sorvo-o, engulo-o e caio tonto
A minha volta o ar é etílico

As respostas não estão
No vazio que me preenche
O silêncio é solidão
Não fala, mas sente

Ouço impaciente, os ruídos
Tortos de um torto mundo
Não são ruídos amigos
Inspiram-me ao absurdo

Se acaso o mundo conspira
Não será a meu favor
O silêncio é uma mentira
Fingindo ausência de dor

Mateus Medina
01/11/2011

50 Perguntas que Libertam a Mente: Resposta nº24

24. O que é pior, quando um bom amigo vai pra longe ou perder o contato com um amigo que mora bem próximo de você?

Sem dúvida é perder o contato com um amigo que mora próximo.

Quando isso acontece, eu penso que é um sinal forte de que essa amizade perdeu muito, e talvez não tenha "cura".

Quando um amigo vai pra longe - e eu posso ilustrar esse amigo -, mesmo os caminhos se "dividindo", mesmo o contato ficando reduzido a dois ou três telefonemas por ano, consegue-se perceber que uma amizade verdadeira não morre por isso.


É claro que depois de muitos anos - sete, no meu caso -, imagino que um reencontro vá ter um sabor misto, do tipo "a amizade nunca morre", com "que estranho, nossas vidas já são tão diferentes", mas o SENTIMENTO de amizade, esse eu posso garantir que com os VERDADEIROS amigos, não deixou de existir com a distância.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Quero




Fechar os olhos e sumir
Simplesmente
Acordar num barco
Não muito distante
O sol não muito quente
Eu, as garrafas, o mar
E só

O rumo ditado pelo vento
A noite ainda longe
Brilhante e paciente
Aguarda pelo abraço
De uma alma carente
Antes de ancorar, outro gole
Põe-se o sol
Abrem-se os olhos

Fechar os olhos e sumir
Simplesmente…

Mateus Medina
27/10/2011

Meme Literário de 1 mês 2011: Dia 30

Dia 31 – Qual o livro que você leu esse ano que mais gostou? Fale sobre ele.

Difícil escolher. Nenhuma novidade, pra mim é sempre.

Acho que é a primeira vez que vou "roubar" aqui. Sorry, mas tenho que escolher dois.

Já falei sobre os dois aqui, e ambos são bárbaros. Nos links abaixo uma resenha sobre "O Mago" e o que já disse nesse mesmo meme sobre "A Guerra dos Tronos"


"As Crônicas de Gelo e Gogo - A Guerra dos Tronos", de George R. R. Martin.

 E assim termina mais um meme por aqui... foi bom, gostei bastante =)
 

domingo, 30 de outubro de 2011

Meme Literário de 1 mês 2011: Dia 30



Dia 30 – Qual foi o último livro que você comprou? Fale sobre ele.

O Último que comprei foi o primeiro sobre o qual falei, aqui mesmo nesse meme.

Então, fica o link para a primeira postagem.

sábado, 29 de outubro de 2011

Meme Literário de 1 mês 2011: Dia 29



Dia 29 – Quantos livros em média você costuma comprar por mês? Você costuma comprar livros em sebos, ou prefere as livrarias? Compra muito pela internet?


Isso depende muito.

Depende do tesão que eu andar em leitura, da grana disponível... monte de coisa.

Normalmente pelo menos um por mês - não é bem mensal, mas é quase isso - por causa do círculo de Leitores, que somos sócios lá em casa. Então, pegamos sempre um do Círculo, seja um romance, seja alguma enciclopédia que estamos fazendo coleção... é raro não pegarmos nada.

Eu não costumo comprar livros pela internet, mas nem é por nada especial. É que com a comodidade do Círculo deixar a revista em casa, ir entregar o livro, ir fazer a cobrança... e o fato das livrarias físicas terem promoções razoáveis, acabo por nunca recorrer a net. Tá ali na mão.

O que me lembro de comprar pela net foi a coleção das "Brumas de Avalon" e "Ainda Resta uma Esperança" (nota mental: Falar dessa obra fabulosa por aqui).

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Meme Literário de 1 mês 2011: Dia 28



Dia 28 – O que você faz quando encontra uma palavra que não conhece durante a leitura? Para para procurar no dicionário? Anota para procurar depois? Ou tenta deduzir seu significado pelo contexto?


Tento deduzir pelo contexto. Quase sempre faço isso.

Anotar é que nunca. Se eu me lembrar depois, procuro. Se não lembrar, já era...

A única coisa que tenho feito ultimamente, quando estou lendo algum ebook em Inglês, é utilizar os recursos do dicionário do programa, que são razoáveis, caso a palavra seja um substantivo, ou se for verbo, que esteja no presente do indicativo, porque se tiver no pretérito ou no futuro, o dicionário indica que... "tal palavra é o pretérito de tal". O que não é nada útil...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Desassossego



Lá ao longe o desassossego
Foi tanto que o procurei
Que hoje o acolho sem medo

É coisa viva, que mexe
Com o coração da gente
Enquanto a gente remexe
Velhas gavetas dormentes

Acordar o bicho é obra
Que só se faz com certeza
De não deixar qualquer sobra

É bicho brabo, arredio
Não deixa nada indiferente
Leva a vida toda no cio
E faz o mesmo com a gente

Mateus Medina
20/10/2011

Meme Literário de 1 mês 2011: Dia 27



Dia 27 – Você costuma fazer anotações enquanto lê? Se sim, onde? A ideia de fazer anotações no próprio livro lhe assusta?

Claro que não. Ah, para ô!!!

A ideia de se fazer anotações no livro me estarrece. Eu tenho calafrios só de pensar... rsrsrs

NÃO, NÃO E NÃO!

Tá bom, se usar um lápis e for um livro de estudos menos mal... mas mesmo assim... oh god!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Meus olhos




Sopraram-me o fogo na testa
Marcaram-me as pernas com aço
Beberam, tal qual fosse festa
Julgaram-me morto; erro crasso

Despertaram o que hoje sou
Não qu’eu já não o fosse
Dormia em mim desamor
Antes amargo, hoje é doce

Com prazer me revelo
Para quem me quiser conhecer
Quem busca da vida o que é belo
Precisa de mim se esconder

De tudo o que é vivo eu troço
Destroço com prazer banal     
Chupando o tutano dos ossos
Olhar-me nos olhos; é fatal

Mateus Medina
25/10/2011

50 Perguntas que Libertam a Mente: Resposta nº23

23. Você tem sido o tipo de amigo que gosta de ter como amigo?

Creio que não.

Meus amigos poderão dizer melhor que eu, mas, numa avaliação imparcial, diria que não.

Costumo ser MUITO melhor amigo do que tenho sido... sorry

Meme Literário de 1 mês 2011: Dia 26



Dia 26 – Qual o maior (em número de páginas) livro que você já leu? Quanto tempo demorou? Fale sobre ele.


Isso do número de páginas é muito relativo. Varia de acordo com o tamanho da letra, margens, formato do livro etc...

Então, para responder a essa pergunta vou me guiar por um fato, que é:  O livro originalmente foi publicado em um volume. A edição que li o dividiu em dois.

Somando as páginas dos dois volumes, daria 832 páginas.

Trata-se de "O Mago", de Raymond E. Feist.

Não consigo precisar um tempo certo, porque primeiro comprei um volume, depois esperei até o final do mês (pobreza é uma coisa...) para comprar o outro. Contando o "tempo de leitura", devo ter levado uns 8 dias mais ou menos para devorar os dois.

Já falei sobre esse livro no blog, quem quiser ler sobre ele é só clicar aqui.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

100 Fatos sobre mim (91 a 100)

91 - Ando com uma vontade enorme de ser pai. Mas, o receio também é grande.

92 - Se existir "crise pré 30", estou a passar por ela =/

93 - Ainda não realizei o que acho que "nasci para realizar" (bem entendidas as aspas, por favor)

94 - Não sou bom em lidar com a culpa.

95 - Não vejo TV e não sinto a menor falta.

96 - Tenho sempre a sensação que a maioria das pessoas não entende metade do que eu digo. Ou então, entendem tudo errado.

97 - É verdade, eu tenho mania de perseguição.

98 - Tenho sonhos recorrentes onde estou envolvido em um acidente de carro/avião.

99 - Não me levem a sério, eu já tomei Gardenal.

100 - Gostei desse meme, vou sentir falta dele. Me fez bem "abrir o jogo" um pouquinho...

Então é isso, até o próximo (eu não falei que ia pedir a OUTRAS pessoas que dissessem cada uma 10 coisas sobre mim? Então, me aguardem...).

Universo na garganta


Na garganta o universo
Acorrentado, em expansão
De lágrimas negadas faço verso
Quebra universo, seu grilhão!

A palavra calada, ali quieta
Não sai, mas também não volta
Engulo a palavra certa
Vomito a palavra torta

O universo acorrentado à palavra
É engolido, que tamanha confusão
Ou sais pela garganta, universo
Ou serás nos meus olhos solidão

Mateus Medina
24/10/2011

Meme Literário de 1 mês 2011: Dia 25



Dia 25 – Tem algum livro que você tenha mais de uma edição do mesmo? Se sim, por que?

Não.

(A resposta mais rápida e simples desse meme rsrsrs)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Revista SAMIZDAT Nº 31

Conheci esta revista eletrônica há pouco tempo, quando entrei numa comunidade de teoria literária no Orkut.

Quando a conheci, sua publicação já havia cessado, mas o Henry Bugalho (Autor do Guia Nova York para mãos de vaca), que é o responsável pela edição, resolveu fazer uma edição especial, e talvez haja mais no futuro, quem sabe?

Li algumas das edições anteriores e resolvi enviar um poema, que foi aceito para esta edição. Se você lê o meu blog com alguma regularidade, já o deve ter lido.

No entanto, há conteúdo muito interessante de vários outros autores, que valem realmente a pena.

Há contos, poemas, traduções, artigos sobre teoria literária, análise de obras... enfim, há de tudo um pouco para quem curte literatura.

Caso se interesse em ler esta edição, clique aqui.

Se gostar e quiser conhecer as edições anteriores, pode conferi-las aqui.

Meme Literário de 1 mês 2011: Dia 24



Dia 24 – Você lê um livro por vez ou gostar de alternar a leitura em dois ou mais livros?


Eu gosto de ler um por vez. Se eu leio dois, não me concentro na leitura de nenhum.

Por acaso, estou fazendo isso agora (ler dois livros), mas não são dois livros de ficção, e como um é em inglês (On Writing, Stephen King) e o outro em Português (Crónica de uma morte anunciada, Gabriel Garcia Marquez), a confusão é menor. Mas mesmo assim, não me sinto confortável. Prefiro um por vez.

domingo, 23 de outubro de 2011

Quando a chuva cai



Pronto, caiu a chuva
Lágrimas se derramam
De um céu carregado
Cheio de mágoas e tristezas

É, a chuva caiu
Lava o que está sujo
Leva o que está limpo
Carrega tudo contigo

Pois, é chuva que cai!
Lá fora... aqui dentro
Grossos pingos de lamento
A esperança toda encharcada

Mateus Medina
23/10/2011

Meme Literário de 1 mês 2011: Dia 23



Dia 23 – Você costumar ler e-books? Ou prefere o bom e velho livro em papel? Por que?


Li pouquíssima coisa em ebook (pra ser bem honesto, só me lembro de dois). Continuo preferindo o bom e velho livro em papel.

Eu sou "aquele paradoxo". Sou um entusiasta das novas tecnologias, mas também sou um saudosista de primeira...

A verdade é que ler ebook no PC é uma porcaria, eu não gosto.

Agora, depois de ter comprado um tablet que foi presente para a preta pude perceber que ler ebooks no dispositivo correto pode ser agradável.

A verdade é que não creio numa extinção completa dos livros em papel, mas creio que dentro de alguns anos - não muitos, acreditem - os livros de papel serão minoria. Vou ter que encarar o ebook como a forma "habitual" de leitura, porque a marcha do progresso segue sem me perguntar o que eu acho dela...

Mas, seja como for, apesar de não ser um "ebook hater", continuo preferindo o bom livrinho em papel. Porque tem cheiro de livro e a bateria não acaba no meio da leitura...

sábado, 22 de outubro de 2011

Meme Literário de 1 mês 2011: Dia 22

Dia 22 – Cite um ou dois livros com títulos que você acha interessante. Você costuma escolher livros pelo título?

Escolher só pelo título não. Mas, confesso que um título de peso me deixa curioso pra ler o livro, ainda que depois eu descubra que ele é uma grande porcaria... Um bom título é um primeiro passo para chamar atenção, além da capa.

Um que o título e a capa me chamaram atenção foi esse:


Não falei sobre o livro no blog, mas falei sobre o filme aqui


Outro que tem um título muito original e interessante - mas não fui eu quem escolheu - e que também li, foi esse:




Falei sobre ele aqui.
 

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Meme Literário de 1 mês 2011: Dia 21



Dia 21 – Quanto tempo em média você demora para ler um livro?

Depende.

Não consigo tirar uma média disso. É que simplesmente depende de que livro é, da minha empolgação em relação a ele, do meu estado de espírito, do tempo que tenho disponível para ler... impossível dizer uma média.

Já levei mais de um mês pra terminar um livro, assim como já devorei um de 300 páginas em 6 horas...



quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Conto: A faca manchada

Fizera-o novamente. E agora, olhava incrédulo para a faca manchada de um vermelho grudado, daqueles que parecem nunca sair.

Inquieto, buscava um plano de fuga, mas nenhum lhe parecia possível - em não mais que dois minutos sua mulher estaria de volta.

Saiu em disparada rumo ao banheiro.

O crime só tinha duas provas: uma na sua mão; a outra, enrolada em plástico-filme dentro do enorme freezer horizontal. Congelada, escondia-se da vista, refreando-lhe o desejo de nunca parar. Roubada a maciez da perfuração, sentia diminuído o prazer do golpe.

Na pequena pia de aspecto sujo, lavou a faca com a vitalidade de um jovem, excitado pelo ato cometido. Já era velho há tanto tempo, que não se recordava de ter sido jovem um dia. Questionava-se se seria esta a motivação do crime. Sentir-se jovem.

Pensou na esposa com tristeza. Em todas as vezes prometeu-a ser a última. Mentiu sempre. Sua vida era uma grande mentira.

Foi arrancado dos seus pensamentos pelo ranger do velho portão da entrada. Ouviu passos e correu de volta para a cozinha. Acreditou chegar a tempo de guardar a faca já limpa. Mas, mal se virou, deu de cara com a mulher, que lhe indagou sem exitação:

- De novo, Rodolfo? – Sua voz soava fria e incrédula.

Rodolfo gaguejou. Tentou falar e a voz não saiu. Desatou a chorar. Pensou ser uma cena ridícula, um velho como ele chorando feito criança; ainda mais na frente de uma mulher. Homem não chora na frente de mulher. Homem não admite nada para mulher.

Escolheu negar.

- Não, meu amor. Não fiz nada.

- Então, por que o choro? – Eliana torceu a boca com o seu trejeito costumeiro.

- Ah! Bateu saudades do Aroldão. Você sabe que ele era...

- Chega, Rodolfo. Basta de mentiras. Você nunca gostou do Aroldão. Já faz um mês que ele morreu e só agora você se lembrou de chorar? No enterro ficou lá, sorrindo e contando piadas de bicha. Você nunca gostou de bicha. Por que choraria pelo Aroldão?

Rodolfo sentiu-se perdido. Não conseguia pensar em nenhuma desculpa plausível para o choro. Sempre que a mulher vira-o chorar, a razão era a mesma. A mesma de agora.

Da última vez ela o surpreendeu ainda com a faca na mão. Ele chorou em seus braços e se desculpou. Exalava arrependimento de tal maneira, que ela sentiu-se impelida a continuar acobertando o seu segredo. Juntos limparam o chão e a faca salpicados de vermelho, antes que a filha chegasse para lhes deixar a neta. Se soubesse, a sua pequena jamais o perdoaria, como a esposa sempre o fazia.

Agora, Rodolfo percebia que Eliana não voltaria a compactuar com tal atrocidade. Pensou em admitir a culpa perante a mulher e lhe pedir ajuda. Sentia-se doente e cansado.

Seus crimes nunca foram fruto do querer. Cometia-os por se sentir tomado de uma intensa necessidade, maior do que ele próprio.

A mulher dirigiu-se ao freezer com determinação.

- Foi aqui que você escondeu?

Rodolfo congelou. Teria vacilado e olhado em direção ao freezer? Como era possível que ela soubesse?

Não, não poderia admitir.

- Pra que essa faca levantada, Rodolfo? Pretende usa-la novamente?! E então, onde escondeu desta vez?

Finalmente, se deu por vencido, sentando-se no tamborete com o verniz já descascado. Era melhor assim. De nada valia continuar a lutar contra a própria natureza. Pediria para ser internado se fosse preciso. Não suportaria mais passar por semelhante constrangimento. Era sempre a mesma coisa; a mesma culpa o invadia.

- Está aí dentro – resignou-se Rodolfo.

A mulher abriu o freezer com todo cuidado, balançando a cabeça em sinal de reprovação. Ao olhar para dentro, ficou lívida.

- Merda, Rodolfo! Você não tem juízo nenhum?! Pelo amor de Deus! Você já não é jovem, homem! Você está velho, diabético, já perdeu uma perna por isso e não se emenda. Meia lata de goiabada?! Meia lata, Rodolfo?!

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Um agradecimento especial à preta (aquela, da 81), minha editora predileta.

Mateus Medina
19/10/2011