sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Não me siga



Não me siga, não sou valente
Debaixo dos meus braços
Não terás proteção
Se um dia fui capaz
De proteger e alegrar
Esse dia já ficou pra trás

Não me leve tão a sério,
Me rebelo facilmente
Mudo de rumo, tomo atalhos,
Corro de esquina em esquina,
Flerto a morte, arrisco a sorte
Ao meu lado nada se ilumina

Não acredite em palavras ditas
Na cama, entre um ofegar e outro
Serve a mim a vista turva,
O desejo inconsequente,
Falo aquilo que é preciso
Para ter prazer ardente

Não me siga, é perigoso,
Nada te posso prometer
Das promessas que um dia fiz
Restaram cinzas, incumprimentos
Nada do que digo, sustento
Provoco dor, tristeza e tormento

Não, por favor, não me siga
Não tenho salvação nem esperança
Não sei se algum dia fui criança
Inocência, nunca conheci
Nasci para lágrimas e açoite,
É longa a minha noite; já morri

Mateus Medina
10/08/2012





3 comentários:

  1. É um belo poema num tom que situo entre o trágico e o doce.
    "Não me sigas". Caminha a meu lado...

    Beijo meu

    ResponderEliminar