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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

20 Anos de "Nevermind" - Nirvana



Amanhã, dia 24 de Setembro, fará 20 anos do lançamento de "Nevermind", um álbum que mudou a história do Rock. Isso é um fato.

Tudo o que vem a seguir a isso é bastante discutível, e como eu não sou "partidário" de nenhum gênero musical (e aí alguém pode pensar "mas você não é metaleiro"? Não, eu não trabalho com metais, e o metal é apenas o gênero musical que reúne o que aos meus ouvidos, soa como música de melhor qualidade. Ponto.), não pretendo deambular por esses terrenos, embora quando se fale de Nevermind / Nirvana seja praticamente impossível não tocar em certos assuntos batidos, clichês mesmo...

Quanto o Nirvana lançou Nervermind, o cenário do Rock estava vivendo um momento de desgaste tremendo. Nevermind foi uma "lufada de ar fresco" e uma mudança de rumos.

Eu concordo quando se fala que "atrás de Nevermind" veio um caminhão de porcarias, se denominando ou sendo denominadas de "Rock Alternativo". Aliás, eu não gosto de quase nada "alternativo". Não concordo é quando CULPAM Nevermind por isso. Aí eu fico "zangado".

Nevermind é um álbum sensacional, fora de série e histórico - pode espernear a vontade, eu não ligo -, pelo simples fato de ter mudado as coisas como mudou, de ter reunido 12 canção impossíveis de serem puladas, qualquer uma delas, desde a mais conhecida "Smells like teen spirit", até "Territorial Pissings", passando pela "engraçadinha" (hein?) "Polly" e ter vendido 30 milhões de cópias.

É verdade, Nevermind é POP, e isso "dói" em alguns corações. Já doeu no meu quando eu era adolescente, hoje a minha perspectiva - GRAÇAS A DEUS - mudou bastante.

Como é que um álbum barulhento, de letras confusas, provocadoras e irônicas, que tem um vocalista que berra versos sujos pode ser POP? Mas foi, e tem a ver com a conjuntura da época. Aliás, os responsáveis por Nevermind ser POP são, em sua maioria, os que eram ali criticados (que ironia, não?).

A primeira vez que ouvi Nevermind eu pirei completamente. Eu tinha por volta de 12 ou 13 anos e foi mais ou menos na mesma época que ouvi "Appetite for Destruction" do Guns, "Heaven and Hell" do Black Sabbath e "Schizophrenia" do Sepultura.

A verdade é que para mim, naquela época, tirando o Black Sabbath que eu percebia bem a diferença - embora não fizesse ainda a ideia completa -, era "tudo Rock", e ponto. Depois eu viria a "eleger" o metal como o meu gênero de música preferido, entender melhor as diferenças monstruosas que separam esses álbuns, mas na época a única coisa que eu sentia era que "Troops of Doom" mexia tanto comigo como "Smells like teen spirit", que é por acaso a primeira música de Nevermind, e que abre o álbum como um riff nervoso e grudento (característica marcante do Nirvana), que entrou de cara para a história do Rock.

Nevermind é debochado, troça de uma geração deslumbrada pelas maravilhas do consumismo e que se esquecia do mais importante. De uma geração de rótulos, que ignorava o conteúdo e perdia grande parte da sua capacidade se uniformizando. Quanto mais igual, melhor.

Kurt Cobain, Dave Grohl e Krist Novoselic entraram de sola nisso tudo com Nevermind. É claro que Kurt tem um protagonismo notável aí, com as suas letras e melodias grudentas, no entanto foi esse conjunto que veio a consagrar Nevermind como um dos melhores álbuns de Rock da história - você ainda está esperneando? Ah, para vai...

Trata-se de um álbum delicioso de se ouvir, numa mistura completamente alucinada de Punk, Rock setentista (pouco), alucinações, deboche, guitarras (muitas guitarras!!!) e melodias grudentas e fáceis. É um álbum cheio de energia, que nos ligava imediatamente à tomada assim que apertávamos o play ou (os que foram mais felizardos que eu e ouviram o álbum em vinyl) se colocava a agulha no bolachão preto...

Eu não poderia então, deixar de prestar a minha homenagem e deixar aqui o testemunho de como esse álbum fez parte da minha vida. Embora não o ouça há muito tempo e tenha me distanciado bastante desse tipo de sonoridade, Nevermind continua a ser, 20 anos depois, um álbum diferente, vibrante e que merece todo o meu carinho e respeito.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Judas, porque isso?



Pois é, esse post é da série "forever alone", eu sei... mas mesmo assim, vou escreve-lo.

Das poucas pessoas que lêem esse blog, 99% não vão até o fim do post, só o camarada Alexandre poderia salvar esse post do "forever alone", mas ele tem andado sumido, então...

Ora bem, ontem estive no Pavilhão Atlântico para presenciar a despedida daquela que considero a segunda banda mais importante de Heavy Metal, o Judas Priest (em primeiro lugar, claro está, o Black Sabbath).

Conforme anunciaram, os Judas Priest estão fazendo a tour "Epitaph Tour", que será a última (mundial) da banda.

Eu comprei o ingresso para esse show em Março, porque previ um Pavilhão lotado, sem espaço nem para se mexer. Isso infelizmente não aconteceu, e é o único ponto negativo a apontar na noite de ontem, o Judas merecia MUITO mais público, naquela que será provavelmente a última apresentação da banda em Portugal...

Quem abriu para o judas foi Queenrÿche. Se apresentou durante 40 minutos, fez um som competente e agradável. Apesar de eu não ser grande fã da banda, foi uma boa abertura.

Quando o Judas subiu ao palco, por volta das 21:30, era possível notar a alegria, já misturada com a saudade, no rosto das pessoas.

O "engraçado" é que era possível ver de tudo, gente com mais 60 anos, pessoal na casa dos 40, jovens de 15, 16 anos, e eu vi até um grupo que reunia 3 gerações (ou assim me pareceu): Avô, Pai e filho juntos, cada um com a sua camisa do Judas, mostrando bem que metal não tem idade...

O show foi magnífico, se bem que o adjetivo aqui, não faz verdadeiramente jus ao que foram aquelas 2:15 minutos, do mais puro, enérgico e verdadeiro Heavy Metal.

Para entrar "de sola", nada melhor do que "Rapid Fire", seguida de "Metal Gods", e a partir daí um desfile por TODOS os álbuns do Judas, com Halford.



Durante todo o tempo o público cantou junto, mas o ponto alto foi em "Breaking the Law", quando APENAS quem cantou foi o público.

Não é qualquer banda por aí, que faça música não-comercial (principalmente metal), em que o vocalista possa simplesmente abdicar do microfone, deixando ao público a incumbência de berrar todas as estrofes de uma canção... "Branking the Law" foi o momento em que eu vi mais gente enxugar as lágrimas. Alguns faziam de maneira disfarçada como eu, outros não se importaram muito em deixar que rolasse o pranto da despedida do "Metal God" e seus companheiros, que mudaram a história do Heavy Metal e da música.

Para "piorar" as coisas, a seguir a "Breaking the Law", vem "Painkiller", onde o refrão foi bradado a muitas vozes - mas claro, nenhuma delas tão "estridente" como a do Halford.

A banda esteve impecável, inclusive o "moço" que substituiu o K.K., quando esse resolveu - estranhamente - não fazer parte da tour de despedida...

Richard Faulkner esteve muito bem no seu papel. Não comprometeu, e pelo contrário, interagiu muito com o público e mostrou que técnica e feeling não faltam para "tapar o burado" deixado pelo K.K.

Halford como sempre, é um show à parte. Impressiona como com quase 60 anos, ele consegue manter a voz que o consagrou, com muita justiça, como o "Metal God".



Impecável - é pena o som do Pavilhão não ter sido também -, não faltou gás em nenhum momento, mesmo depois de mais de 2 horas de espetáculo, saí de lá com a sensação que o Halford poderia repetir a dose sem descanso...

Depois de três "indas e vindas", a banda se despediu mesmo, com "Living After Midnight", cantada por todos, que simplesmente não queriam acreditar que afinal, é fim de carreira para o Judas... Por que isso, Judas?

Confesso que o meu setlist perfeito para essa despedida, incluiria "Last Rose of the Summer" e "Leather Rebel", mas é claro, se todo mundo fosse palpitar no setlist, O Judas Priest nunca mais deixaria os palcos, como seria o sonho de todos nós, que curtimos o bom e velho Heavy Metal...

O Judas se despede assim, cumprindo perfeitamente o seu papel, e o melhor, não sai de cena como uma banda decadente. Sai por cima, com muita energia e competência, e deixando a sua marca na história da música.

Adeus Judas!!!!

quarta-feira, 30 de março de 2011

Raul Seixas - Abre-te Sésamo

Vou inaugurar essa categoria musical do blog, "A Vida em Rabiscos", falando dos "Rabiscos Musicais" daquele que para mim, é a mente mais brilhante de todos os tempos na música Brasileira. Não, não foi. É.

Se Elvis não morreu, Raul Seixas muito menos.

Quem me conhece, mesmo que há dois dias, sabe, com certeza, da minha paixão por Raul Seixas, portanto, vou pular toda a parte óbvia, não vou escrever aqui a biografia do camarada...

Eu não tenho um álbum preferido de Raul, eu prefiro todos, cada um em um momento diferente. Todos são bons, e cada um deles tem algo importante a dizer, portanto, não foi fácil para mim, escolher por onde começar.

Escolhi "Abre-te Sésamo", um álbum de 1980, que por qualquer razão, é o álbum de Raul que mais tenho ouvido ultimamente.


Artista: Raul Seixas
Nome do Álbum: Abre-te Sésamo
Ano de Lançamento: 1980

Tracklist (LP):
Lado A:

1- ABRE-TE SÉSAMO (Raul Seixas/ Cláudio Roberto)
2- ALUGA-SE ( Raul Seixas/ Cláudio Roberto)
3- ANOS 80 (Raul Seixas/ DeDé Caiano)
4- ANGELA (Raul Seixas/ Cláudio Roberto)
5- CONVERSA PRA BOI DORMIR ( Raul Seixas)
6- MINHA VIOLA (Raul Varella Seixas)

Lado B:

7- ROCK DAS "ARANHA" (Raul Seixas/ Cláudio Roberto)
8- O CONTO DO SABIO CHINÊS ( Raul Seixas)
9- SÓ PRÁ VARIAR (Raul Seixas/ Kika Seixas/ Cláudio Roberto)
10- BABY (Raul Seixas/ Cláudio Roberto)
11- Ê MEU PAI (Raul Seixas/ Cláudio Roberto)
12- À BEIRA DO PANTANAL (Raul Seixas / Cláudio Roberto)


Como qualquer outro álbum de Raul, será redundante dizer que é um álbum FANTÁSTICO.

Este álbum conta em sua maioria, com a parceria de Cláudio Roberto, grande parceiro de composições de Raul.

Mas, também conta com uma lindíssima música, chamada "Minha Viola", de autoria do pai de Rauzito, o Raul Varella Seixas.

"Minha Viola", aliás, é das músicas que eu mais gosto desse álbum, é uma lindíssima moda de Viola, que conta a história de alguém que saiu do sertão apenas com uma viola, dada pelo seu pai.

Conta com lindíssimos versos, como esses, que juntamente com aqueles acordes de viola, fazem até arrepiar:

"E quando a tarde vai morrendo,
Vou pegando minha viola.
Se estou triste e sofrendo,
Ela é quem me consola.
Cada nota é um gemido.
Cada gemido é uma saudade.
De saudade estou perdido,
Viola, nessa eterna "solidade"."

Além dessa música, há outra que não foi composta com Cláudio, e sim com Dedé Caiano, que era irmão de Sérgio Sampaio, com quem Raul Seixas fez o álbum "Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10", quando era produtor. Fizeram esse álbum "escondido" e sem autorização, o que o fez ser despedido, ná época, mas, isso é outra história, que contarei em outra altura.


A música em parceria com Dedé, chama-se "Anos 80", e é um retrato antecipado e debochado da sociedade "oitentista", que por acaso, deu frutos...

Pobre país carregador
Dessa miséria dividida
Entre Ipanema
E a empregada do patrão
Varrendo lixo
Prá debaixo do tapete
Que é supostamente persa
Prá alegria do ladrão



O restante das músicas, são quase todas em parceria com Cláudio - menos "O conto do Sábio Chinês e Conversa prá Boi Dormir, que são de Raul sozinho -, aliás, muitas pérolas, muitos "Hits". Entre eles, as famosas "Aluga-se", "Só prá Variar" e "Rock das Aranha" (essas eu creio que todo mundo conhece, por isso, não preciso falar muito delas, não é?), que sofreu censura na época, pois como dizia Raul, a censura andava sempre procurando saber do que é que ele falava, para pode censurar. Na época, era sexo o assunto "proibido".

Além dessas mais conhecidas, esse álbum conta com outras "pérolas desconhecidas", como "À Beira do Pantanal", uma canção completamente "dark", que conta com versos como esse:

Foi lá na beira do Pantanal
Seu corpo tão belo enterrei
Foi lá que eu matei minha amada
Sua voz na lembrança eu guardei:
"Por que, meu querido
Por que, meu amor
Cravaste em mim teu punhal?
Meu peito tão jovem sangrando assim
Por que esse golpe mortal?"

Em "O Conto do Sábio Chinês", ficamos a conhecer a confusão de um homem (?), que não sabe se sonha ser uma borboleta, ou se é uma borboleta sonhando ser um sábio chinês...

Em "Abre-te Sésamo" temos o famoso Raul "gozador", que diz tudo de maneira "engraçada", como no verso:

Lá vou eu de novo
Brasileiro, brasileiro nato
Se eu não morro eu mato
Essa desnutrição
Minha teimosia
Braba de guerreiro
É que me faz o primeiro
Dessa procissão...

Em "Conversa prá Boi dormir", mais do Raul Sarcástico e Gozador:

Jota batista batizou Jesus,
De água e sal e o sinal da cruz.
Com a profecia que já "tava" esquecida,
Para que seu povo encontrasse a luz!

Há quanto tempo que o brasil não ganha?
Isso é conversa para boi dormir!
Espero em Deus, porque ele é brasileiro,
Pra trazer o progresso que eu não vejo aqui.

"Ê meu pai", É uma batucada simples, que pede sempre ao "pai" que lhe dê forças, no momento em que ele precisar...

"Baby" é uma canção que fala de sexo também (e provavelmente nos dias de hoje, seria enquadrada como pedofilia, pelo seu verso inicial, onde menciona "hoje cê faz treze anos"), mas,  "passou batida" pela censura, que preferiu pegar no pé de "Rock das Aranha", uma canção mais "engraçada".

Baby,
A madre da escola te ensina,
A reconhecer o pecado,
E o que você sente é ruim
Mas, baby, baby, Deus não é tão mal assim


"Ângela" é uma declaração de amor (mas, conta também com conotações bastantes sexuais na letra) à sua mulher, Kika, que participa também nesse álbum, sendo co-compositora de "Só prá Variar"

Eu que me achava o rei do fogo e dos trovões
Eu assisti meu trono desabar 
Cedendo as tentações, as tentações de
Ângela, Ângela, Ângela

E assim,  vou ficando por aqui nesse primeiro post musical, recomendando a quem conhece, e faz tempo que não ouve, que aproveite para ouvir novamente, e a quem não conhece, que deixe de perder tempo, e ouça essa pérola, esse grande "Rabisco Musical"