quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Uma certeza basta
Sua mala jazia aberta em cima da cama. Lentamente, deslizavam para dentro pequenas peças de roupa, e enormes pedaços de história.
Me julgando oculto pela escuridão do corredor, apenas a observava. Nada mais havia a dizer. Estava tudo dito e decidido.
Fui denunciado pela minha ansiosa respiração. Ela inspirou profundamente, enquanto levantava o olhar e me mirava, ao mesmo tempo em que vestia o seu melhor sorriso sem graça.
- Tem certeza que quer partir? - Perguntei, como se não perguntar, fosse falta de educação.
- Não, não tenho - Respondeu-me, soprando todo o ar de uma só vez.
- E vai, mesmo assim? - Retorqui, baralhado entre a forma e o conteúdo.
- Não tenho certeza se quero partir. Mas, tenho certeza que não quero ficar.
Mateus Medina
06/03/2012
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Mini Rabiscos
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
À puta que pariu
Num macabro acaso da vida
Cruzaram meus olhos com os teus
Os meus opacos - pura neblina
Os teus cansados - gritos de adeus
Jamais te poderia ajudar
Ainda e mesmo que quisesse
Nunca aprendi o que é amar
Nunca aprendi o que é amar
E tu, o amor não mereces
Fomos um do outro a ruína
Doente obsessão nos consumiu
Mergulhaste na minha neblina
Mandei-te à puta que pariu
Mateus Medina
18/01/2013
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Poesia Maldita,
Poesias
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Lista de Leitura 2013
Cada vez que eu terminar um livro, ele vem pra cá.
Esse ano vou também dar uma nota de 0 a 5, como no Skoob.
Se quiser dar uma olhada na lista de 2012, é só clicar aqui.
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Janeiro:
1) "O Fardo do Amor"
Ian McEwan
Editora: Gradiva
Nota: 4/5
Fevereiro:
2) "A Noite do Oráculo"
Paul Auster
Editora: ASA
Nota: 4/5
Maio:
3) "A Rapariga que Roubava Livros"
Markus Zusak
Editora: Presença
Nota: 5/5
Junho:
4) "Os Filhos de Krondor - O Príncipe Herdeiro"
Raymond E. Feist
Editora: Saída de Emergência
Nota: 4/5
5) "Os Filhos de Krondor - O Corsário do Rei"
Raymond E. Feist
Editora: Saída de Emergência
Nota: 4/5
Julho:
6) "Sharp Objects"
Gillian Flynn
Editora: Kindle Edition: Phoenix
Nota: 4/5
7) "O Jardim de Cimento"
Ian McEwan
Editora: Gradiva
Nota: 3/5
8) "Aurora Boreal"
Åsa Larsson
Editora: Planeta
Nota: 3/5
Agosto:
9) "Leviathan"
Paul Auster
Editora: Presença
Nota: 4/5
10) "A Sombra do Vento"
Carlos Ruiz Zafón
Editora: Dom Quixote
Nota: 5/5
11) "O Corpo Humano"
Paolo Giordano
Editora: Bertrand
Nota: 3/5
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Listas
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Falsas convicções
Não me julgue pela máscara,
Por um vício ou por um verso
Se no fim já não há nada
Me declaro e me despeço
Não me julgue pela dor,
Por prazeres ou defeitos
Não nasci para o amor,
Não trago coração no peito
Não julgue o meu cinismo
Como fuga ou amargor
Ele é simples amorfismo
Que a própria vida moldou
Não julgue o meu sorriso,
Como mágoa, encenação
Tenho tudo o que preciso
P'ra viver com a solidão
Mateus Medina
15/07/2013
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Poesias
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
O meu lar
(Impression, soleil levant, Claude Monet, 1872)
Quando busco o teu rosto no mar
É que o vento que sopra, é brisa
Vem devagar, mas sem parar
Toca o meu rosto de leve
Quedam meus olhos fechados
- É como te vejo melhor -
As ondas que quebram na beira
São inocentes, não suspeitam
Quão fundo a saudade mergulha
Sei do silêncio das pedras
Sinto-o sob os meus pés
O teu rosto flutua no azul
Qu'eu pinto p'ra te conquistar
O meu lar é o mar, a areia
Amor não é o que se semeia
Muito menos o que se colhe
Amor é aquilo que nasce
Ninguém sabe como - ou de onde
Mateus Medina
14/08/2013
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segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Permita-se
Mostra-me a verdade escondida,
Sei que a carregas em algum lugar
Entre o desinteresse pela vida
E o amor que nasceste para dar
Permita-me baixar tua cortina
Despir-te um dia desses qualquer
Provar em teus lábios a menina;
Em teu corpo, a força de mulher
E deixa-te dessa brincadeira;
Ser triste, esconder-se do mundo
Ser triste, esconder-se do mundo
Pois muito tens que lhe mostrar
Não deixe que passe a vida inteira
Encolhida, temendo o absurdo
Que a vida tem muito mais p'ra dar
Mateus Medina
18/10/2012
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sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Gatilhos da Saudade
Tinham acabado de voltar do enterro de um dos seus tios. Um daqueles que ela não via há mais de 10 anos.
Enroscada no colo do pai, tinha novamente cinco anos. Ali, não tinha nada a temer ou qualquer preocupação. Ali, o tempo parava e ela podia ser criança novamente.
- Pai, é tão confuso... quando recebi a notícia, foi como se não sentisse nada. Como se o tio Arnaldo fosse um estanho...
- Você já não o via há quanto tempo? Doze anos? É normal o distanciamento, querida.
- Não sentir vontade de chorar? Em nenhum momento? É normal? Ele era o meu tio preferido.
- Há alguma lei que te obrigue a chorar? Nem sempre um rio de lágrimas espelha a face do amor.
Enquanto o pai ainda terminava a frase, ela chorou.
Finalmente. Compulsivamente.
Ele esperou até os soluços encontrarem o caminho do silêncio, e então perguntou:
- Por que agora?
- Você afastou o cabelo da frente dos meus olhos, examente do jeito que ele fazia.
Mateus Medina
01/08/2013
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terça-feira, 30 de julho de 2013
Cartas escritas para não serem lidas
("Brieflezend meisje bij het venster" (Garota lendo uma carta à janela),
de Johannes Vermeer, 1657-1659)
de Johannes Vermeer, 1657-1659)
Tudo o que jamais te contaria
Repousa agora em cima da mesa
Entrelaçados; destino e escolha
Resolvem o caminho a seguir
Através do caminho seguido
É como a vida
É como a morte
Fujo de uma e outra
Quando desisto e quando persisto
Não há qualquer explicação;
O meu sim e o meu não
São faces da mesma moeda
É como o coice
É como a queda
Está aí, em cima da mesa
Leia, se quiser saber
Queime, se tiver juízo
Mas, não me pergunte nada
Esse rio já foi desviado
E não faço ideia para onde
Mateus Medina
27/07/2013
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Poesias
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Si bemol é sempre triste
Num dia desses que ficou pra trás
Minha alegria jaz, vestida de amarelo
Acorentada num qualquer sujo cais
É o espelho do meu próprio flagelo
E por mais que a tente encontrar
O mundo é outro, é outro tempo
Há muito a deixei de escutar
Hoje toco canções de lamento
E é nas cordas do meu violão
Que persisto na busca impossível
De encontra-la num Si bemol
Dedilho, corda sim, corda não
Tentando recriar o inaudível
À beira-mar, ao nascer do sol
22/07/2013
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Poesias
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Desmentido
Palavra às vezes me desmente
Pula boca afora sorrindo,
Rodopia contente pelo chão
Chama para si toda atenção,
À volta, é ignorado o evidente;
A alma sente diferente
Sentimento faz de mim refém,
Trepa pelo estômago acima,
Costura os vácuos que convém
Me cala, se vai e deixa a sina;
Na boca o gosto de ninguém,
A mente dispersa desatina
Palavra e sentimento em batalha
Destroem minha percepção
Vislumbres de verdade se entalham
Na pedra basilar da razão
No fim resta apenas o retalho
Da verdade esculpida em ilusão
Destroem minha percepção
Vislumbres de verdade se entalham
Na pedra basilar da razão
No fim resta apenas o retalho
Da verdade esculpida em ilusão
Mateus Medina
12/07/2013
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