Tinham acabado de voltar do enterro de um dos seus tios. Um daqueles que ela não via há mais de 10 anos.
Enroscada no colo do pai, tinha novamente cinco anos. Ali, não tinha nada a temer ou qualquer preocupação. Ali, o tempo parava e ela podia ser criança novamente.
- Pai, é tão confuso... quando recebi a notícia, foi como se não sentisse nada. Como se o tio Arnaldo fosse um estanho...
- Você já não o via há quanto tempo? Doze anos? É normal o distanciamento, querida.
- Não sentir vontade de chorar? Em nenhum momento? É normal? Ele era o meu tio preferido.
- Há alguma lei que te obrigue a chorar? Nem sempre um rio de lágrimas espelha a face do amor.
Enquanto o pai ainda terminava a frase, ela chorou.
Finalmente. Compulsivamente.
Ele esperou até os soluços encontrarem o caminho do silêncio, e então perguntou:
- Por que agora?
- Você afastou o cabelo da frente dos meus olhos, examente do jeito que ele fazia.
Mateus Medina
01/08/2013


