quarta-feira, 6 de junho de 2012

Tempo em jatos



Entre o que eu via e fazia
Um abismo se entrepunha
Dobrava-se o tempo, sobre si mesmo
Acelerando a percepção
Aplacando a angústia da demora
Fazia tempo, já era hora
E de repente estava feito
Um estalo, uma explosão,
Desdobrou-se e esticou-se, o perverso!
Tempo de observar o estrago
Com muito tempo, esticado
Em lentidão tudo voltava
E todo o tempo percorrido
Não era nada; absolutamente
Revi, revivi, resurgi
Num espaço amargamente opaco
Cada momento, cada respirar,
Os gemidos em suave retrocesso
Cabia tudo; o universo
Dentro dos escassos segundos
Entre o empunhar da faca
E o rasgar da carne
Tudo de parte, suspenso...
Um grosso e pegajoso jato
Atravessa e rasga o tempo,
Retira-lhe o que resta
Outro jato, menos tempo,
Esvaído até o silêncio absoluto

Mateus Medina
05/06/2012


segunda-feira, 4 de junho de 2012

Semana 21: Meus piores defeitos:





Semana 21: Meus piores defeitos:

1) Exigir demais de mim mesmo.

2) Acumular "coisas a dizer" e depois dizer tudo de uma vez, na hora errada, do jeito errado. É bem comum eu "perder a razão" por agir assim

3) Extrema dificuldade em ME perdoar

4) Preguiça

5) Falta de disciplina

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A "piadinha do Thor" e o preconceito onde não há


Desde o nascimento da arte (quando é que foi isso mesmo?) que ela sofre com a censura.

Em tempos, foi uma censura oficial. Mas, mesmo após a queda das ditaduras pelo mundo, a arte continua sofrendo censura. Engana-se aquele que se julga completamente livre para expor a sua arte.

Discutir os limites da arte não é fácil. As regras de boa convivência social impõem, por si só, certos limites de "bom gosto". Aqueles limites que nos impedem de reproduzir artisticamente o que afirmamos com veemência, na proteção ilusória do nosso lar, refúgio sagrado da nossa hipocrisia.

Lendo a notícia sobre a polêmica da "piada do Thor", no filme "Os Vingadores", me veio à mente uma avalanche de questões. Mas, só depois de uma interna exclamação de "foda-se, esta merda já passa dos limites". Não, não me refiro a piada do Thor. Ela foi engraçada, eu ri. Todo mundo no cinema riu, e em nenhum momento eu racionalizei sobre "os adotados são malvados".



Uma americana qualquer, resolveu criar uma petição online, para que a Marvel "apresente desculpas formais por ter insultado os filhos adotivos e seus pais."

Parem o mundo que eu quero descer! (Foi mal, Rauzito) Onde já se viu exigir desculpas formais por uma piada? Que mundo é esse, que interfere na arte de tal maneira, que uma empresa com o histórico da Marvel, precisa se desculpar por uma piada boba, onde o Thor busca simplesmente se desvincular do Loki, quando descobre que ele já teria matado 80 pessoas?

Se tem uma coisa que a Marvel faz com seus heróis é combater o preconceito. Um exemplo simples é o nascimento dos "X-Men", que surgem como uma clara metáfora a marginalização do diferente, em forma de "mutante".

É cada vez mais frequente a interferência do público em obras de arte. O público palpita, "exige", clama e resolve... Será a morte da arte se não pararmos com isso enquanto é tempo. Se o público direciona uma obra de arte, ela perde completamente a validade. Se o autor deixa de ter o poder sobre os rumos da mesma, isso não é arte, é marketing barato.

Me lembro perfeitamente, no tempo em que eu ainda via novelas, do público exigir o "sumiço" das personagens de Christiane Torloni e Sílvia Pfeifer em "Torre de Babel", uma novela das 8 (salvo traição da memória), em que elas interpretavam um casal de lésbicas. Sei lá porque diabos, o "público brasileiro" se sentiu ofendido (ao contrário do que se passa com as "banheiras do Gugu" e equivalentes). Não pode dar protagonismo a gay na TV.  Que coisa tão imoral! E assim, as personagens foram mortas. Vergonhoso, hipócrita e preconceituoso... mas foi o público, o público pode...vivemos na era de agradar o consumidor, em detrimento arte, assim, a novela retomou os bons ibopes e "a família brasileira" ficou toda feliz. Morte aos gays!

Voltando ao pobre coitado do Thor, um trecho da reportagem diz que, segundo as ONGs pró adoção, a piada "dissemina preconceito, fazendo uma associação imediata entre ter sido adotado e ser "do mal".

Que coisa tão estúpida! Em momento nenhum a mensagem passada é essa. A única "mensagem" que a piada passa é: "Ops! Se ele já matou tanta gente e é do mau, eu não tenho nada a ver com esse sujeito". Se fosse o Thor o adotado, e a piada fosse feita ao contrário, aí seria "politicamente correto" e estaria tudo bem (ou será que há ONGs pró filhos de sangue também?).

Qualquer dia, quando os marcianos aparecerem por aí, vão exigir de Hollywood indenizações milionárias, por terem retratado os coitados tão verdes, tão feios, tão cabeçudos (eu disse cabeçudos? Não... eu quis dizer "com a cabeça bastante avantajada", me desculpem).

A ânsia em parecer tão politicamente correto está nos expondo ao ridículo. O humor vai ficando cada dia mais difícil de ser feito sem ser processado, acuado, obrigado a se desculpar. Tão triste nos tornamos, quando cada vez mais, vamos perdendo a capacidade de rir de nós mesmos.









Cócegas



Cócegas nos teus pés,
Sorriso nos teus lábios
Tão diferente este acordar
Livre do mau humor matinal
Beijos, muitos beijos
O cheiro de ontem nos lençóis
Acordamos para um novo dia
Ele virgem, nós depravados,
Pelo prazer dos odores, subjulgados
Ele casto, nós de rasto
Pela noite que ficou para trás
A espera que anoiteça outra vez
E assim teremos muito, muito mais!
O sol nos toca o corpo, logo cedo,
Na infindável preguiça dos amantes
São tantos os livros na estante
E nenhum que explique esse fogo

Mateus Medina
21/05/2012

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Só(i)s



Levanta-se o sol; se espalha
Como se fora obrigação
De todo vivente na calha
Trazer sua luz em canção

Esquece-se do seu tamanho
Da imensidão do seu fulgor
Não há um só vivente estranho
Que traga em si tanto amor

Se traz o vivente a missão
De se espalhar como o sol
Padece pela maldição
De não ser ouvido, ou pior

Oh, sol! Não espere de nós
A altivez do teu poder
Nascemos e morremos sós
É esta a lei do viver

Mateus Medina
28/05/2012


terça-feira, 22 de maio de 2012

Semana 20: Fico de mau humor quando:



Semana 20: Fico de mau humor quando:

1) Sou acordado bruscamente

2) Tagarelam comigo logo após eu acordar

3) Eu quero muito uma coisa (material), crio expectativa, compro, levo pra casa e... não funciona (acontece mais que o "normal", mais do que vocês imaginam)

4) Tenho que trabalhar ao Sábado. Principalmente se tiver um sol lindão lá fora...

5) Me rotulam de uma maneira que eu sei que não é verdade, mas que eu "tenho a fama"


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Semana 19: Meus seriados preferidos:




Semana 19: Meus seriados preferidos:

(No momento)

1) Grey's Anatomy

2) Game of Thrones

3) Criminal Minds

4) Castle

5) House (Vai uma referência de um que abandonei, mas já fui muito fã)

domingo, 20 de maio de 2012

Semana 18: Sinto saudades...





Semana 18: Sinto saudades...

1) Do teatro

2) Das tardes de jazz e vinho barato no Solar do Unhão, esticadas noite/madrugada adentro no Pelourinho...

3) De estar sentado no sofá de minha vó, tocando violão, enquanto a chuva e a trovoada massacravam lá fora

4) Da família e dos verdadeiros amigos que deixei no Brasil

5) Do cheiro de fogueira queimando, barulho dos fogos de artifício, passar de casa em casa tomando licor, dançar um-bom-forró-pé-de-serra; Festa de São João!


quarta-feira, 16 de maio de 2012

Semana 17: Personagens cuja vida eu gostaria de viver por um dia: (filmes, livros, seriados, etc)



Semana 17: Personagens cuja vida eu gostaria de viver por um dia: (filmes, livros, seriados, etc)

1) Dumbledore (Harry Potter)

2) Pug (O Mago)

3) Ferris Bueller (Curtindo a vida adoidado)

4) Wolverine (X-Men)

5) Noah (Diário de uma paixão)

terça-feira, 15 de maio de 2012

Convulsões



Pelas janelas da alma, observo
Tanto do que desejo sentir
Tanto do que desejo evitar
Das recordações senis, os cheiros
Das expectativas sonhadoras, o mar
Lá ao longe, tão longe, sem ondas
Sem freios ou limites, sem sal
Liberto do mal, fugídia imagem
Perde todo o sentido o horizonte
Quando se fecham as janelas,
Quando chove de dentro para fora
Pelas janelas da alma tudo entra
Se alojam sentimentos, impressões
E o que fica entre a alegria e a tormenta
É somente o que é real; convulsões!

Mateus Medina