terça-feira, 29 de novembro de 2011

Reconstrução


Quando o céu começa a passar
Do límpido azul ao negro
Sente-se a tempestade no ar,
O coração engasgado de medo

Violentos raios cruzam o céu
Num espetáculo horripilante
Degustamos o amargar do mel
Esperando o próximo instante

Contamos que a tempestade passe
Não sem alguma confusão
Fica sempre algum impasse
Dúvida, medo, solidão

Resta reerguer-se nos destroços
Reparar o que tem reparação
Levantar o alicerce do que é nosso
Duro trabalho para o coração

Mateus Medina
28/11/2011

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A minha morte (Parte II)



É brutal ser arrancado da bolha
E jogado no meio do nada,
Onde buracos negros sorridentes
Sugam toda a vida que há
Não enxerguei a foice,
Não vi o manto negro,
Nem senti o frio congelante
Estive distraído
A morte não é sempre igual
Não tem o rosto pálido,
Nem é sobrenatural
A morte é viva!
A minha morte vive,
E vive mais do que eu
A morte é cotidiana e vulgar
Não faz alarde, não chama atenção
Mina a alegria, simplesmente
Suga a vontade e a esconde
Num canto desconhecido,
Para que não se encontre
A morte é uma dor lancinante
Um canivete espetado no peito
Girando freneticamente
Até que a última gota de sangue
Se esvaia sem retorno

Mateus Medina
25/11/2011

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A minha Morte (parte I)

Quem diz que não dói morrer
Ou mente, ou nunca morreu
Quem não sabe, precisa saber
Para que não morra o “eu”

Umas mortes são como dormir
De repente se acorda... e pronto
Outras, como em buracos cair
Sai-se de um, entra-se noutro

A minha morte dói de tal maneira
Que nem a vida um dia foi capaz
De me ferir com flecha tão certeira
Como esta, que a morte me traz

Pensei estar mais preparado
Para a vinda desta senhora
Mas, como estar conformado
Se para mim ainda não era hora?

Mateus Medina
24/11/2011

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Meu silêncio



Meu silêncio não é tão-somente
Um fardo encerrado em si mesmo
Vai além da ferida a vista,
Da agonia calada na garganta
Tapada por sangue seco
É um castigo
É o avesso do próprio umbigo,
A revolta do mar contra o barco
Meu silêncio é doença
Se espalha sem chamar atenção
Aos poucos causa dormência
Explode mudo em solidão
Meu silêncio é o preço
O troco da implacável vida,
A prisão necessária e dolorosa
Que umas (poucas) vezes cura
E outras (muitas) enlouquece
Meu silêncio é a sobra,
É simplesmente o que me resta
Na vã tentação de gritar
Aos ouvidos surdos e impassíveis
O tamanho da minha dor e penar
Meu silêncio é efeito, não é causa
É o indesejado amargor,
Ministrado de uma só vez
Sem direito a lutar contra o revés
Anunciado em tempos de barulho
Meu silêncio é orgulho

Mateus Medina
21/11/2011

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Pela Janela



Passavas pela rua, desfilando
Bem juntinho a minha janela
Dizias o meu nome, cantando
Tinhas a voz de primavera

De lá de dentro não percebia
Que para fora nunca olhava
Ouvia tua voz, não reagia
Parecia que distante estavas

Cansaste daquela canção
Cantaste ainda outras tantas
Fui punido pela desatenção
Perdi o teu canto que encanta

Agora, eu de fora da janela
Batendo em total desespero
Implorando pela canção; aquela
Que me cantaste com desvelo

Mateus Medina
16/11/2011

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Insuficiente



A luz que beija o solo é suave
Pálida, amarela e fugaz
A escuridão desaba do céu; grave
Densa, negra e voraz

A alegria que pinta os rostos
Das inocentes crianças
Não chega pra tanto desgosto
De adultos sem esperanças

O sucesso de uns poucos
Não prova que tudo é possível
A tragédia de muitos outros
Mostra o mais acessível

O beijo nos lábios, guardado
Não chega para salvar
O nobre sentimento acuado,
Condenado a definhar

Mateus Medina
15/11/2011

50 Perguntas que Libertam a Mente: Resposta nº25

25. Cite algo pelo qual você é mais grato.

UMA coisa só? Desculpem, mas não dá.

Vou ter que "roubar" nessa, porque é sacanagem citar uma coisa só, eu com a minha personalidade esquisita, vou me sentir "traindo" outras coisas importantes. Claro que não dá pra citar tudo, mas umas três ou quatro já alivia a consciência... rsrsrsrs


Sou grato por ter nascido numa família que me passou princípios de vida decentes, que moldam o meu caráter até hoje. 


Sou grato pelas sucessivas oportunidades que a vida me "dá", mesmo que muitas vezes pareça o contrário.


Sou grato por ter conhecido a minha mulher. Tenho certeza que de alguma maneira super estranha e ainda incompreensível, ela veio me mostrar coisas que eu seria incapaz de ver sozinho.


Taí, três coisinhas só... um dia escrevo um livro sobre o resto... tenho razões pra ser grato por coisas demais =)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Perseguição




Perseguiste-me por muitas vidas
Nos meus calcanhares andaste
Espalhaste em meu corpo feridas
Da minha dor… zombaste

Por ti mutilado e queimado
Meu sangue em taça celeste
Bebeste com todo cuidado
De não o entornares nas vestes

Meu rosto ardido e descarnado
Agora é tudo o que enxergas
O espelho vês por outro lado
E para a morte escorregas

Mateus Medina
02/11/2011

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Presentinho...

Esse post não tem qualquer propósito além de fazer inveja *-*

Tipo assim:




Presentinho que eu ganhei da Pri, a moça do "Devaneios e Metamorfoses".

Ela não quer que eu agradeça, então eu não vou agradecer o.O

É só mesmo pra causar inveja e mais nada...

Trata-se da "trilogia de 5 livros" conhecida como "O Guia do Mochileiro das Galáxias".

O livro "1001 livros para ler antes de morrer" diz o seguinte sobre a coleção (sugado lá do blog da Pri):


"A 'trilogia em quatro partes' de Douglas Adams surgiu como uma série para o rádio transmitida pela BBC em 1978. O primeiro livro combina ficção científica com um humor ácido e irônico e alguma sátira oculta a tudo, da burocracia e polícia à poesia de mau gosto e o destino das canetas esferográficas... Quando a Terra é destruída para abrir caminho para uma estrada intergaláctica, o azarado Arthur Dent se descobre viajando pelo Universo com seu amigo Ford Prefect, que se revela um extraterrestre vindo de Betelgeuse. O trabalho de Ford é escrever "O guia do mochileiro das galáxias", uma brilhante fusão entre livro de viagem e guia tecnológico. Trechos do livro pontuam a narrativa, criando explicações hilárias para os fenômenos do universo. Os personagens excêntricos e bem construídos e um Arthur um tanto abismado criam uma espécie rara de alquimia numa obra de ficção surpreendentemente ágil e sofisticada.
.
Adams combina a criatividade impressionante com o conhecimento científico, ridicularizado explicitamente em nome do humor. Ele zomba com carinho do planeta e ao mesmo tempo o coloca novamente como centro do Universo."


Então é isso aí... não custa nada pedir emprestado um livro a um amigo que NÃO GOSTA de emprestar livros, pode ser que você ganhe de presente \O/

Muito obrigado, Pri. Adorei mesmo, bjos!!!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Voz e Piano



Canta esta voz aqui dentro
Suave, só ela e o piano
Sorri enquanto lamento
Não possuir qualquer plano

Andei por aí, pelo mundo
Tentando dela escapar
Vaguei em esgotos imundos
Dormi sem querer acordar

Mas ela aqui continua
Cantando a mesma canção
Dedilha o piano; nua
Negando-me a solidão

Busquei a morte nas ruas,
Nos becos, nas drogas, no bar
Disse-me a morte: “Ela é tua”
Negando-se a me libertar

Tantas vezes perguntei
O que desejava de mim
Sem responder só tocava
A mesma canção sem fim

Jamais via o rosto, só olhos
De puro desgosto estampado
O corpo esguio em retalhos
O piano ensanguentado

Um dia assim de repente
Cessou a voz seu cantar
Esperei pela morte; contente
Veio a voz em seu lugar

Já não cantava ou tocava
Recitava com profusão
O destino que me aguardava
Incerto até então

Tomou pelo braço a morte
E saíram a caminhar
Sumiram nas sombras do norte
Deixaram-me ali a tocar

Mateus Medina
04/11/2011