sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Deixem-me morrer

(Imagem: House M.D. 3x03: "Informed Consent")


Sou velho, já vivi demais
Pudera eu alcançar a morte
Seria um consolo,
Uma prenda que me negam
Trancafiado entre paredes brancas
Fios colam-se ao meu corpo
Levando mensagens irrelevantes
Para alguém que não se importa
Suporto, não sem algum rancor
Que a minha vida se esvaia
Pelos algodões manchados
Entre o vermelho vivo
(Que me mata enquanto me deixa)
E o amarelo excremento
(Que me apodrece antes de ir embora)
As cores que já não vejo
Pois a brancura dos meus olhos
Enclausurou-me em escuridão
Mas posso senti-las
E diferencia-las pelo odor
Vermelho arde nas narinas
Amarelo cheira a pulmões
Já castigados e maltratados
Sou velho, já vivi demais
Deixem-me morrer

Mateus Medina
30/09/2011

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

100 Fatos sobre mim (71 a 80)

71 - Eu adoro a série Harry Potter.


72 - O primeiro livro que li na vida - sem contar "coleção vagalume" - de livre e espontânea vontade, foi "Nada Dura para Sempre", do Sidney Sheldon.


73 - Toda vez que escrevo um conto eu rasgo/apago. Não tenho nenhum guardado. Eram todos uma grande porcaria...


74 - Vejo pintura com olhos de leigo e invejoso. Não entendo muito sobre o assunto, mas há pinturas que me emocionam.


75 - Eu quero uma casa no campo (mas é só pra passar uns tempos de vez em quando).


76 - Não me sinto confortável dando ordens.


77 - Não suporto gatos.


78 - Se eu dormir de tarde, provavelmente acordarei de mal-humor.


79 - Vatapá é a comida mais gostosa do mundo


80 - Só me considere tecnicamente acordado, depois de um cafezinho e um cigarro.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O cão e o tempo




Não tenho mãos para o tempo
Ele me escapa completamente
É preciso, é necessário, é urgente
Depois, vai-se tudo com o vento

Quando penso que já terminei
Há sempre mais… obrigações
Onde meu prazer, minhas canções?
Onde, a terra em que sou rei?

Corro contra o tempo. Irado!
Mas claro! Ele corre contra mim!
Chocamo-nos, explosão sem fim
De novo o cão, atrás do próprio rabo

Mateus Medina
28/09/2011

terça-feira, 27 de setembro de 2011

50 Perguntas que Libertam a Mente: Resposta nº 20

20. Você aperta o botão do elevador mais de uma vez? Tem certeza de que isso acelera o elevador?

Pergunta boba, não é? É claro que não!!! 

Esperem... pode ser uma pergunta dúbia, ou posso ser eu a forçar a barra e querer tirar "lições" e "ensinamentos" de tudo. Mas vou me aventurar.

Eu acho que a pergunta esconde um jogo psicológico do tipo:  "Quão impaciente você é na vida para ficar apertando um botão trocentas vezes?".


A verdade é que eu sou impaciente demais. Demais mesmo.


Eu piro e perco a esportiva se tiver que esperar meia hora no dentista, no ponto de ônibus, numa fila de trânsito... eu piro. Calma, não é pirar de bater, quebrar, ser ignorante... é internamente, é "aqui dentro". E a parte mais engraçada é "por que eu piro?".


Vai ter gente rindo, mas a verdade é que eu sou meio neurótico com "perder tempo". EU SEI que eu perco tempo de montão - é essa voz na minha cabeça, não esquentem -, mas eu não gosto.


Eu sou o tipo de pessoa que se pudesse não dormir e não sofrer as consequências - e eu já sofri muito - da privação do sono, não dormia. Dormir é uma perda de tempo.


EU SEI que tenho usado mal o meu tempo - dá pra parar de gritar aqui dentro? Eu tô respondendo uma pergunta pro Blog, que saco -, mas isso é outro capítulo da história.


No mais, eu sou ansioso ao extremo. Se eu sei que uma coisa "provavelmente" vai acontecer, seja uma que eu quero, ou que não quero, eu vou ficar na expectativa positiva/negativa até que esse dia chegue. Eu vou brigar comigo para me esquecer, e enquanto faço isso, passo o tempo todo lembrando...


Eu poderia escrever menos? Poderia. Mas não seria a mesma coisa - piadinha que só o pessoal de Portugal é capaz de rir.


Resumindo, eu não aperto o botão várias vezes, não sou idiota, né? Mas "psicologicamente" eu passo a vida apertando... e acreditem, no momento em que vos falo, estou mais de 70% "curado" se compararmos com 7 ou 10 anos atrás... ou seja, eu chego lá =)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Cortejo fúnebre



Era um fúnebre cortejo
E quando de soslaio olho,
Adivinhas quem eu vejo?
Tu, em trajes incorpóreos

Um caixão ricamente decorado
Jubiloso, feito o sentimento
Que em meu coração desatento
Foi brotando sem ser disfarçado

Me aproximo com interesse
E o meu peito se aquece
Por qualquer razão desconhecida

Numa imensa gargalhada irrompi
Tantas vezes sonhei em ver-te assim
Deixando esta miserável vida.

Mateus Medina
16/09/2011

Poesia "Maldita"



Eu cheguei a escrever uma longa descrição sobre "Poesia Maldita", "Poetas Malditos", "Dark Poetry", mas... achei que ficou muito chato.

Apaguei tudo e resolvi apenas publicar esse post.

A intenção desse post é apenas "anunciar" que estou separando numa categoria diferente as "Poesias Malditas" que eu vier a publicar - e acho que umas 3 ou 4 que já publiquei também se enquadram nessa categoria.

Cheguei a pensar em criar um outro blog, separado desse, para publicar esse conteúdo mais específico, ideia que ainda não abandonei por completo, mas, a preguiça foi mais forte e eu pensei "sou eu o autor dessa porcaria toda, então vai tudo pro mesmo saco". Assim mesmo.

Quem está mais ou menos por dentro da minha história sabe que fiquei anos sem escrever nada, depois de ter perdido por inúmeras vezes vários trabalhos que eu não tinha nenhum "backup". Ora bem, eu sei que sou meio idiota, mas não é isso que vem ao caso. O que interessa é que eu sempre escrevi "dark poetry", que é algo bem específico, com todo o seu cinismo, ironia, maldade, pessimismo, exagero, sangue, mais sangue...

Quando voltei a escrever e ao mesmo tempo criei esse blog, me impus o "desafio" de não publicar nada antigo, do pouco que me restou. TUDO aqui era inédito na época da sua publicação. E eu tenho umas "poesias malditas" antigas ainda. Poucas, mas tenho.

Como não tinha ainda me aparecido nenhuma "poesia maldita" na mente, fui apenas publicando-as juntas, sem qualquer separação de categoria ou estilo. Agora resolvi "ajeitar" as coisas, porque vou passar a publicar também as "poesias malditas" que voltaram a fazer parte da minha composição =)

Àqueles que me lêem, espero que não se assustem. Algumas poesias nesse estilo são verdadeiros contos de terror, que a minha falta de habilidade para contos não permite redigir, então, eu "poetizo-os" e pronto, está feito o meu "conto" de terror, que eu tanto gostaria de ter talento para escrever, mas não tenho.

Há personagens realmente "malditos" no meio disso tudo. Aliás, eu creio que todas as minhas poesias são baseadas em personagens, apenas não são prosas... são poesias rsrsrsrs

Algumas poesias podem ser "dark" sem nenhum dos componentes que citei mais acima. Até podem ser mais "dark" que uma que tenha todos os componentes citados, mas, eu as entendo (as "poesias malditas") numa "categoria" seperada, portanto, a partir de hoje elas estarão separadas, até que eu resolva criar outro blog - ou não.

Mais uma vez, não se assustem... ou se assustem, sei lá... tanto faz...

Mateus Medina
26/09/2011

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

20 Anos de "Nevermind" - Nirvana



Amanhã, dia 24 de Setembro, fará 20 anos do lançamento de "Nevermind", um álbum que mudou a história do Rock. Isso é um fato.

Tudo o que vem a seguir a isso é bastante discutível, e como eu não sou "partidário" de nenhum gênero musical (e aí alguém pode pensar "mas você não é metaleiro"? Não, eu não trabalho com metais, e o metal é apenas o gênero musical que reúne o que aos meus ouvidos, soa como música de melhor qualidade. Ponto.), não pretendo deambular por esses terrenos, embora quando se fale de Nevermind / Nirvana seja praticamente impossível não tocar em certos assuntos batidos, clichês mesmo...

Quanto o Nirvana lançou Nervermind, o cenário do Rock estava vivendo um momento de desgaste tremendo. Nevermind foi uma "lufada de ar fresco" e uma mudança de rumos.

Eu concordo quando se fala que "atrás de Nevermind" veio um caminhão de porcarias, se denominando ou sendo denominadas de "Rock Alternativo". Aliás, eu não gosto de quase nada "alternativo". Não concordo é quando CULPAM Nevermind por isso. Aí eu fico "zangado".

Nevermind é um álbum sensacional, fora de série e histórico - pode espernear a vontade, eu não ligo -, pelo simples fato de ter mudado as coisas como mudou, de ter reunido 12 canção impossíveis de serem puladas, qualquer uma delas, desde a mais conhecida "Smells like teen spirit", até "Territorial Pissings", passando pela "engraçadinha" (hein?) "Polly" e ter vendido 30 milhões de cópias.

É verdade, Nevermind é POP, e isso "dói" em alguns corações. Já doeu no meu quando eu era adolescente, hoje a minha perspectiva - GRAÇAS A DEUS - mudou bastante.

Como é que um álbum barulhento, de letras confusas, provocadoras e irônicas, que tem um vocalista que berra versos sujos pode ser POP? Mas foi, e tem a ver com a conjuntura da época. Aliás, os responsáveis por Nevermind ser POP são, em sua maioria, os que eram ali criticados (que ironia, não?).

A primeira vez que ouvi Nevermind eu pirei completamente. Eu tinha por volta de 12 ou 13 anos e foi mais ou menos na mesma época que ouvi "Appetite for Destruction" do Guns, "Heaven and Hell" do Black Sabbath e "Schizophrenia" do Sepultura.

A verdade é que para mim, naquela época, tirando o Black Sabbath que eu percebia bem a diferença - embora não fizesse ainda a ideia completa -, era "tudo Rock", e ponto. Depois eu viria a "eleger" o metal como o meu gênero de música preferido, entender melhor as diferenças monstruosas que separam esses álbuns, mas na época a única coisa que eu sentia era que "Troops of Doom" mexia tanto comigo como "Smells like teen spirit", que é por acaso a primeira música de Nevermind, e que abre o álbum como um riff nervoso e grudento (característica marcante do Nirvana), que entrou de cara para a história do Rock.

Nevermind é debochado, troça de uma geração deslumbrada pelas maravilhas do consumismo e que se esquecia do mais importante. De uma geração de rótulos, que ignorava o conteúdo e perdia grande parte da sua capacidade se uniformizando. Quanto mais igual, melhor.

Kurt Cobain, Dave Grohl e Krist Novoselic entraram de sola nisso tudo com Nevermind. É claro que Kurt tem um protagonismo notável aí, com as suas letras e melodias grudentas, no entanto foi esse conjunto que veio a consagrar Nevermind como um dos melhores álbuns de Rock da história - você ainda está esperneando? Ah, para vai...

Trata-se de um álbum delicioso de se ouvir, numa mistura completamente alucinada de Punk, Rock setentista (pouco), alucinações, deboche, guitarras (muitas guitarras!!!) e melodias grudentas e fáceis. É um álbum cheio de energia, que nos ligava imediatamente à tomada assim que apertávamos o play ou (os que foram mais felizardos que eu e ouviram o álbum em vinyl) se colocava a agulha no bolachão preto...

Eu não poderia então, deixar de prestar a minha homenagem e deixar aqui o testemunho de como esse álbum fez parte da minha vida. Embora não o ouça há muito tempo e tenha me distanciado bastante desse tipo de sonoridade, Nevermind continua a ser, 20 anos depois, um álbum diferente, vibrante e que merece todo o meu carinho e respeito.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Costurando feridas



Tenho buscado fervorosamente
Uma agulha, que tudo costure
Esqueço-me com pressa indecente
É da linha, para que perdure

Talvez falte habilidade
Para as minhas grossas mãos
Talvez haja alguma verdade
Na voz que ignoro então

“ – Costure as tuas próprias feridas
E deixe que sare as alheias
Não há outro caminho na vida
Que possa salvar estas veias”

Talvez seja simplesmente
A cínica ironia da vida
Que devemos aceitar

Esperar em agonia crescente
Que cicatrize a tua ferida
Já que não te posso curar

Mateus Medina
21/09/2011

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sobre a inquietude e outros monstros



A inquietude me cutuca. Hoje mais que habitualmente.

Desde o momento que abri os olhos, meio zonzo e com a cabeça um pouco mais pesada, esse “bichinho” tem me mordido sem parar. Meu coração que o diga.

Na verdade, o meu primeiro impulso foi combater essa inquietude, continuar quieto e a dormir, mas o dever insistia em me chamar, e por mais esforço que eu faça para não o escutar, a minha maldita noção de dever não me abandona, talvez por um receio muito pessoal de repetir erros que vi e com os quais convivi, de perto demais para que os possa olvidar. Não posso. É preciso levantar, se vestir e correr para o trabalho, já estou atrasado.

Já vestido e pronto para a “batalha”, continuava inquieto – e continuo no preciso momento em que escrevo. A inquietude é um monstro que vive dentro de mim, com o qual aprendi a conviver, e creio que até aprendi a domar, para o bem da minha sanidade mental.

O problema é que como tudo tem dois lados, também a inquietude o tem. Se por um lado nos baralha, nos confunde e nos exorta por caminhos nebulosos e precipitados, querendo abarcar o mundo e tudo ter ao mesmo tempo, também nos chama atenção para os falsos caminhos de tranquilidade que traçamos para as nossas vidas, para as metas que vão morrendo de fome pela estrada, por falta de serem alimentadas.

A inquietude é inimiga secular do conformismo. Estão em guerra constante se ocupam o mesmo espaço, e qualquer espaço é pequeno para esses dois enormes monstros…

O desejo de dar ouvidos a inquietude é grande, e nesse momento, julgo que até seria benéfico, porque ela tem apenas me mostrado que nos últimos tempos a minha vida tem perdido autonomia para a acomodação, que é outro monstro que também vive aqui dentro, dividindo espaço com outros tantos.

Não há espaço para tantos monstros dentro de uma pessoa. Monstros brigam, se esfolam, se matam e revivem. E quando o fazem, retornam ainda mais fortes que antes.

Para o bem da convivência pacífica e equilibrada de todos os monstros, algum deles terá que partir.

Mateus Medina
21/09/2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A poesia é...



A poesia é tudo
E no entanto é pequenina
É som, é gesto mudo
Os olhos de uma menina

A poesia é bela
Mas pode ser feia e feroz
Palavra que pinta uma tela
Punhal que mata; algoz

A poesia é tristeza
Mas é também alegria
Realidade dura e tesa
Sonhos, ternura e magia

A poesia é amor
Mas pode ser indiferente
O brilho do sol numa flor
Aquela que nada sente

A poesia sou eu
E pode ser um qualquer
Tudo aquilo que é meu
E tudo o que não é

Mateus Medina
20/09/2011