Amanhã, dia 24 de Setembro, fará
20 anos do lançamento de
"Nevermind", um álbum que
mudou a história do Rock. Isso é um fato.
Tudo o que vem a seguir a isso é bastante discutível, e como eu não sou "partidário" de nenhum gênero musical (e aí alguém pode pensar
"mas você não é metaleiro"? Não,
eu não trabalho com metais, e o metal é apenas o gênero musical que reúne o que aos meus ouvidos, soa como música de melhor qualidade. Ponto.), não pretendo deambular por esses terrenos, embora quando se fale de
Nevermind / Nirvana seja praticamente impossível não tocar em certos assuntos batidos, clichês mesmo...
Quanto o Nirvana lançou
Nervermind, o cenário do Rock estava vivendo um momento de desgaste tremendo.
Nevermind foi uma "lufada de ar fresco" e uma mudança de rumos.
Eu concordo quando se fala que
"atrás de Nevermind" veio um caminhão de porcarias, se denominando ou sendo denominadas de
"Rock Alternativo". Aliás,
eu não gosto de quase nada "alternativo". Não concordo é quando
CULPAM Nevermind por isso. Aí eu fico "zangado".
Nevermind é um álbum
sensacional, fora de série e histórico -
pode espernear a vontade, eu não ligo -, pelo simples fato de ter mudado as coisas como mudou, de ter reunido 12 canção impossíveis de serem puladas, qualquer uma delas, desde a mais conhecida
"Smells like teen spirit", até
"Territorial Pissings", passando pela "engraçadinha" (hein?)
"Polly" e ter vendido
30 milhões de cópias.
É verdade, Nevermind é
POP, e isso "dói" em alguns corações. Já doeu no meu quando eu era adolescente, hoje a minha perspectiva -
GRAÇAS A DEUS - mudou bastante.
Como é que um álbum
barulhento, de letras confusas, provocadoras e irônicas, que tem um vocalista que berra versos sujos pode ser POP? Mas foi, e tem a ver com a conjuntura da época. Aliás, os responsáveis por
Nevermind ser POP são, em sua maioria, os que eram ali criticados
(que ironia, não?).
A primeira vez que ouvi Nevermind eu pirei completamente. Eu tinha por volta de 12 ou 13 anos e foi mais ou menos na mesma época que ouvi
"Appetite for Destruction" do Guns,
"Heaven and Hell" do Black Sabbath e
"Schizophrenia" do Sepultura.
A verdade é que para mim, naquela época, tirando o Black Sabbath que eu percebia bem a diferença - embora não fizesse ainda a ideia completa -, era "tudo Rock", e ponto. Depois eu viria a "eleger" o metal como o meu gênero de música preferido, entender melhor as diferenças monstruosas que separam esses álbuns, mas na época a única coisa que eu sentia era que
"Troops of Doom" mexia tanto comigo como
"Smells like teen spirit", que é por acaso a primeira música de
Nevermind, e que abre o álbum como um riff
nervoso e grudento (característica marcante do Nirvana),
que entrou de cara para a história do Rock.
Nevermind é
debochado, troça de uma geração deslumbrada pelas maravilhas do
consumismo e que se esquecia do mais importante. De uma geração de
rótulos, que ignorava o
conteúdo e perdia grande parte da sua capacidade se
uniformizando. Quanto mais igual, melhor.
Kurt Cobain, Dave Grohl e Krist Novoselic entraram de sola nisso tudo com
Nevermind. É claro que
Kurt tem um protagonismo notável aí, com as suas
letras e melodias grudentas, no entanto foi esse conjunto que veio a consagrar
Nevermind como
um dos melhores álbuns de Rock da história -
você ainda está esperneando? Ah, para vai...
Trata-se de um álbum
delicioso de se ouvir, numa mistura completamente alucinada de
Punk, Rock setentista (pouco), alucinações, deboche, guitarras (muitas guitarras!!!) e melodias grudentas e fáceis. É um álbum cheio de
energia, que nos ligava imediatamente à tomada assim que apertávamos o play ou (os que foram mais felizardos que eu e ouviram o álbum em vinyl) se colocava a agulha no bolachão preto...
Eu não poderia então, deixar de prestar a minha
homenagem e deixar aqui o testemunho de como esse álbum
fez parte da minha vida. Embora não o ouça há muito tempo e tenha me distanciado bastante desse tipo de sonoridade,
Nevermind continua a ser, 20 anos depois,
um álbum diferente, vibrante e que merece todo o meu carinho e respeito.