terça-feira, 31 de maio de 2011

Batalhas Inglórias

Da batalha que agora travamos
Não sairá qualquer vencedor
O que ficará para a história?
Feridas abertas, sangue e dor

É orgulho, aquilo que nos move,
Incapaz de nos fazer avançar
Ímpetos de vitórias vazias
Que não nos levam a qualquer lugar

A pueril insistência, nunca descansa
Nos cega os olhos com conveniências
Relutamos abrir qualquer cedência
Sobre as nossas cabeças, a guerra dança

Uma guerra sem armas ou mortes
De palavras mordazes e ironia
Nos cria a ilusão de sermos fortes
Enquanto nos suga toda vida e alegria.

Mateus Medina
31/05/2011

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Foi-se nas ondas


Quando fecho os olhos,
Recortes de lembranças me assaltam
Em preto e branco, como num filme antigo
Sou capaz de sentir o cheiro,
O gosto e o desgosto
De uma fita, que há muito se partiu
Não há música, é um filme mudo
Gestos exagerados se repetem
Na tentativa de serem compreendidos
A pouca luz não ajuda; é noite
Vejo uma árvore antiga,
Que outrora teve seu tronco sangrado,
Com a inscrição de dois nomes
No chão, ao seu lado, um pedaço de papel,
Que há muito foi rasgado, picotado
Um sorriso destaca-se na escuridão
E quando eu penso em sorrir, há o mar
Tão feroz como a raiva que guardo,
Tão veloz como aquele antigo amor
Foi-se nas ondas, nunca mais voltou.

Mateus Medina
30/05/2011

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A hora de partir



Já é hora de partires,
Há um mundo lá fora a tua espera
Serre os grilhões, grite!
Corra, pois já é tempo
E quando for a hora do lamento
Não reprimas as lágrimas
Que escorrem insistentes
Ferindo a alma enquanto rolam
E se prendem, como garras transparentes
Deixe-as correr, permita-se a dor
E depois que o peito folgar
Sorria e cante alegremente
Sinta a força a te impulsionar,
Já te consegues levantar,
O que importa agora, de verdade
É aquilo que virá pela frente
Já passastes o frio da madruga,
Já sentiste solidão, foste carente
Quando agora te olhas no espelho
Não vês alguém mais consciente?

Mateus Medina
27/05/2011

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Eu que não me sento no trono de um apartamento...

“Eu que não me sento no trono de um apartamento, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar” 
(Raul Seixas, em “Ouro de Tolo”)

Acomodar-se é fácil, prático e evita trabalho.

Acomodar-se é vergonhoso, deplorável e deprimente.

Quando alguém se acomoda a uma situação, seja ela qual for, o subtexto que está implícito é: Eu não sou capaz de mais.

Vemos diariamente pessoas acomodadas, e fazemos parte deste rol em algum aspecto da nossa vida – eu pelo menos, faço aqui um “mea culpa”. No entanto, vemos também alguns exemplos de quem não se acomoda, de quem “vai a luta” e vence os desafios que lhe foram impostos, ou que muitas vezes traçou para si mesmo.

O que diferencia essas pessoas daquelas que “não conseguem”? É atitude. É ação. É movimento.

A vida implica movimento, e a preguiça – mãe da acomodação – é a “estrela” de uma peça em quem alguém se acomoda.

É mais fácil não agir, deixar como estar, se utilizando muitas vezes de desculpas como “poderia ser pior”, “há quem esteja pior do que eu”. A isso se chama nivelar-se por baixo.

Muitas vezes, olhamos para alguém que “venceu na vida”, e nos pegamos a pensar as razões que levaram esta pessoa por esse caminho. Salvo casos onde as vias são “tortas”, todas essas pessoas “vencedoras” possuem algo em comum: Movimento.

Movimento do corpo, da mente, de ideias, mudança, adaptação…

A própria natureza nos prova, que aquele que não se adapta é o primeiro a perecer. Assim é a vida, assim é a lei.

Nisso não reside qualquer injustiça para com “os fracos e oprimidos”, é apenas uma regra, que serve para todos, e que alguns conseguem ter plena consciência, enquanto outros possuem apenas uma parca – por vezes nula – noção.

Não há fórmulas de sucesso, de felicidade, de amor. O ser humano consegue a proeza de ser tão igual, quanto diferente, por isso, a cada um de nós, cabe a missão de encontrar o caminho, o jeito, a intensidade daquilo que desejamos para as nossas vidas.

A falta de ambição na vida de uma pessoa, pode ser algo devastador. A ambição exagerada também, é claro.

No entanto, a falta de ambição é algo que age como um paralisante. Uma pessoa sem ambição não precisa se mover, lutar, desejar, criar, vencer… ela só precisa existir, e isso basta (algumas vezes essa falta de ambição ao limite, chega até ao ponto de que existir nem é fundamental, pode-se dar um fim a vida, que tanto faz).

Quando se fala em ambição, a maioria das pessoas fazem uma associação imediata com dinheiro/poder. Não é o caso aqui.

A ambição a qual me refiro, tem a ver com aspectos internos, com reflexões sobre o que somos, quem somos, e o que fazemos aqui.

É preciso coragem, garra, vontade e determinação, para deixar de lado o desejo fácil de se acomodar, e buscar aquilo que desejamos. Desde as coisas mais simples, até as mais complexas.

Se assim não for, a vida vai passar, e um dia você vai dar consigo mesmo “sentado no trono de um apartamento, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar.”

Mateus Medina
25/05/2011

terça-feira, 24 de maio de 2011

50 Perguntas que Libertam a Mente: Resposta nº8

8. Se a expectativa de vida fosse de 40 anos, em que isso mudaria sua vida?

Na minha maneira de agir, não consigo pensar o que isso mudaria, na prática. Talvez nada.

Embora eu goste muito da vida, e pretenda andar por ela ainda muito tempo, eu tenho consciência de que esse nosso "papel" aqui é passageiro. Talvez eu apenas me "apressasse" com algumas coisas que eu levo em "maré mansa", por puro descaramento.


De qualquer forma, como eu não creio na morte da alma junto com o corpo, por mais "chato" que fosse descobrir isso agora, faltando 12 aninhos para os 40, não seria tipo um "fim do mundo", eu acho. Embora, fosse inevitável a sensação de "seria legal ter mais tempo", porque a gente sempre quer mais tempo para tudo...



sexta-feira, 20 de maio de 2011

Uma Chance



Vejo-te a correr pela areia
Pés descalços, coração aos saltos
Alegre, como nem uma criança consegue
Mais bela que num conto de fadas
Há alguns minutos, era o pranto
Ao olhar-te agora, ninguém diria
Não fossem as dores do desencanto,
Sei que comigo não virias
Uma nuvem que passa, resolve ficar
E encobre a imensa lua cheia
Agradeço, pois desvio o olhar
Para ver-te nadar, tal qual sereia
Se o brilho desse olhar não me trai
É essa a hora de cair no mar
É o sinal da chance que esperei
Durante toda a minha vida; te amar.

Mateus Medina
20/05/2011

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Todos os dias uma morte


Quando o tempo para
E o coração soluça
Eu tenho certeza da morte

Houve um tempo em que eu morria
De um jeito a cada dia
E era cada vez mais forte

Hoje raramente morro,
Mas, quando calha d’eu morrer
Não há remédio ou socorro
Que me venha aquecer

Quando tudo gela e escurece,
A razão vai-se embora
Tenho certeza que é agora
Que o coração padece

E quando percebo, de repente
Que acabei de renascer
É como um lamento contente
De quem escapa sorridente
Sem no entanto saber
Se afinal, amanhã tornará a morrer.

Mateus Medina
18/05/2011

terça-feira, 17 de maio de 2011

O Mago, de Raymond E. Feist



Ao contrário do que sugere o título, “O Mago” não é livro estritamente sobre magia.

“O Mago” é uma fabulosa obra de fantasia, provavelmente uma das melhores já escritas.

O protagonista da história é Pug, um garoto órfão, que vive no castelo de Crydee, uma das cidades do Reino de Midkemia. Thomas o melhor amigo de Pug, também tem papel relevante na história principal do livro.

Paralelamente a toda a aventura e ação descritas no livro, a todas as cenas de batalha, de guerra e estratégia, o livro é sempre constituído de uma “aura” de muita reflexão em questões importantes, caso o leitor esteja atento a isso.

Amor, paixão, amizade, lealdade, bravura, e muitas outras coisas, entram como tempero nessa magnífica e divertidíssima obra.

Quando uma “brecha” se abre, de um mundo desconhecido para o reino de Midkemia, tudo muda, e a paz que antes reinava, dá lugar a uma terrível guerra, onde o reino precisa lutar contra seres que ao que parece, possuem uma magia muito além da conhecida em Midkemia…

Pug, a essa altura era Aprendiz de Mago - e embora pese que Kulgan, o seu Mestre, percebesse nele um potencial enorme e “diferente”-, e duvidava das suas capacidades, já que a vontade verdadeira dele, era ser escolhido para ser guerreiro, como o seu amigo Thomas.

Num episódio na floresta, Pug acaba por salvar a Princesa Carline de um ataque mortal, o que lhe vale uma promoção a escudeiro do Duque Borric, pai da princesa Carline.

Em dado momento, o Duque decide atravessar o reino, passando inclusive pela mais temida floresta, dominada pela “Irmandade das Trevas”, para levar pessoalmente a informação da invasão do outro mundo ao Príncipe, em Krondor.

   (Clique no mapa para o ampliar)

Pug e Thomas, dois rapazes afoitos por aventura, oferecem-se para acompanhar a corte nessa jornada, sem no entanto fazerem a mínima ideia de que essa viagem iria mudar as suas vidas, e seria muito mais longa do que alguma vez poderiam imaginar…

A partir daí o livro se desenrola numa espetacular odisseia, entre batalhas, política, magia, sangue, coragem e saudades de casa…

Afinal, qual é o objetivo de uma guerra? O que justifica começa-la ou termina-la? Ao que é capaz de resistir uma amizade ou uma paixão? Quais os limites do amor ao próximo e à pátria?

Há muito por resolver, e o destino de dois mundos, irá ficar principalmente nas mãos de Pug, “o órfão do castelo”, que assim como Thomas, terá que travar incríveis e dolorosas batalhas internas, tendo que passar de “rapazes” à homens, na velocidade de um relâmpago…

PS: Essa resenha refere-se ao Livro “Magician”, de Raymond E. Feist, que foi publicado em dois volumes nos Estados Unidos. Em Portugal, seguiu-se o mesmo caminho e foi dividido em “O Mago – Aprendiz” e “O Mago – Mestre”.
No Reino Unido, o livro continua a ser publicado em apenas um volume, conforme o original.

50 Perguntas que Libertam a Mente: Resposta nº7

7. Você está fazendo aquilo em que acredita ou se acomodou com o que faz?

Nem uma coisa, nem outra.

Eu sou um ser humano inquieto por natureza, então, de certo modo, isso faz com que eu não me dê por vencido. No entanto, a verdade é que eu também estou longe de estar fazendo aquilo em que acredito, em vários setores da minha vida.


Eu ainda acredito em muito mais do que aquilo que faço, e se de certo modo pareço acomodado - e estou, de certa forma -, por outro lado, dentro de mim, nem que seja lá no fundo, eu continuo inquieto...


Algumas dessas coisas as quais "me acomodei", estão em bom caminho de mudança - já que ela começa de dentro -, outras, sei que ainda vão longe, e outras são uma questão de tempo e "logística", porque eu não gosto de dar passos em falso, conforme já expliquei numa pergunta anterior, então, eu tento "preparar" mais ou menos o terreno, para algumas coisas que eu VOU mudar num futuro próximo...

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Amores...

Há amores que pulsam, exigentes
Há outros que passam, calados
Alguns são amores contentes,
Outros, amores destroçados

O amor de fim de tarde é rosa,
O amor de fim noite é vermelho
Amores que nos abrem portas,
Amores que nos impingem o espelho

Existe amor que se deita, preguiçoso
Tem também o amor que não cansa
Amor carente, chorão e penoso
Amor que só se dá a criança

Tem amores eternos que duram,
Outros acabam rapidamente
Tem aquele amor que é cura,
E aquele que nos deixa doente

Há o amor de tatuagem e promessa,
Como há o de silêncio e descoberta
Não há no mundo maneira de amar
Que seja “a maneira certa”.

Mateus Medina
16/05/2011