Mostrar mensagens com a etiqueta Poesias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poesias. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Segredos Imersos



Algures na balbúrdia dos meus versos
Intocável, nosso amor remanesce
Outra cara, outro tom - controverso
Mas, 'inda é amor que não se esquece

Por aí, deambulando em confusão
Te ouço vez em quando a cantar
Num tom que é pura persuasão
Recordando os acordes do amar

É indizível teu invisível toque
Baralha os segredos lá no fundo
E algum sempre há de emergir

Não venha a loucura a golope
Fazer de mim um reles vagabundo
Pela vida vagando - atrás de ti

Mateus Medina
11/02/2013


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A validade do poema



Pode um poema perder a validade,
Ou vale a idade que se embaraça,
No embaraço de se mostrar pequena:
A razão, a verdade, o poema?

Tem validade a vaidade do poema,
Ou só aumenta com a idade a avançar,
A versar sobre a importância suprema
Do verso, do inverso, do versar?

Será a idade do poema a validade,
Ou em verdade será como o vinho,
Pelo caminho aumenta a autoridade:
Admirado, nunca aberto, sozinho?

Mateus Medina
12/02/2012

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O que há de vir?

 
O Balanço, de Jean Honoré Fragonard


Para lá e para cá - segue o balanço
Que me lança no incógnito infino,
É exultante e vivo o meu grito
Dança pelo ar sem compromisso,
Desmistifica o peso do pesar,
As consequência que virão no advir

O que há de vir?

Do que serve o futuro ponderar
Se num segundo tudo nos escapa?
Mais vale no balanço balançar
Aproveitar a brisa que nos toca,
O Amanhã ainda não é - e não será
Se não saírmos hoje mesmo da toca

Mateus Medina
07/02/2013

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Dependência

Não sirva de desculpa a escuridão
Se falta a luz, que sobre o tato
Que não se troque o abstrato
Por um qualquer concreto,
Fincado conceito, conceituado
Não há luz, não há certezas
E quem precisa delas?
É pelo tato que se tateia
A teia que em silêncio se forma
Quanto mais a luz escasseia
Mais há teia, mais o fogo ateia
Serpenteia a breve chama,
Aquece por tão pouco
Padece aquele que clama
Pela luz, pela chama; está louco

Mateus Medina
07/02/2013


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Verdade aprisionada



Quando o sol beijou-te o rosto
O mundo resolveu dançar
Incrédulo, bêbado de espanto
Pude apenas observar

Como podes ser tão bela?
Que direito tens tu de sorrir?
Uma vez disparada a flecha
Seu curso ela há de seguir

As águas do mar aos teus pés,
Ris da engessada gravidade
Deslizas como se nada fosse
Teu corpo é a prisão da verdade

Trêmulas, minhas mãos percorrem
Os recantos da luxúria que cedes
Na pressa, sorvo tudo de um gole
No fim... continuo com sede

Mateus Medina
05/02/2013

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Rótulos

Roubo sorrisos, temo a indiferença
Gosto de gente, mas não é sempre
Sou capaz de ditar uma sentença
Paraliso quando me vejo ao leme

Gosto de cama, de olhares juvenis
Sem reservas me entrego ao prazer
Desconfio do que se não diz
Quando em verdade devia se dizer

Me encanta o olhar mudo, a leveza
O silêncio que vem no tempo certo
Na mesma mala, alegria e tristeza,
No mesmo fado a praia e o deserto

Sou egoísta, tudo quero só pra mim
Ainda assim não me ouses rotular
Pois se um dia faltar a vida a ti
Dou-te a minha sem pestanejar

Mateus Medina
29/01/2013

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Ataraxia

Toco o céu, me arrasto no chão
E só um segundo separa
O dia quente da noite fria

O destino na palma da mão
Escorrega, foge, não para
Dou comigo a fazer poesia

Nos galhos, as folhas brincam
Balbuciam tal qual segredo
A chegada de um novo dia

Ao longe os trovões roncam
Fazem do vento brinquedo
Transportam minha ataraxia

Ao fim de um ciclo me escondo
Lambendo as feridas abertas
Antes que a pele se desfaça

Batem com enorme estrondo
Tambores de melodia incerta
A vida, a morte, tudo passa...

Mateus Medina
25/01/2013


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Mais apagadas que acesas

De que servem reflexões vazias
Carregadas de esperanças vãs,
O desejo da chegada de um dia
Em que vida e verdade serão irmãs?

De que servem as luzes que piscam
Ao relento que abriga misérias,
Invisíveis aos seletivos olhos,
Intransponíveis com suas viseiras?

De que servem abraços e preces
Se quando as luzes se apagam
Um e outro se desvanecem?
Não duram, não se propagam

Mateus Medina
26/12/2012





quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Deixa ser



Muda o disco, toma um vinho
Fica um pouquinho mais
Se estica, deitada no sofá
Adivinha do que sou capaz

Se enrosca, se mostra, se dá
Deixa qu'eu te morda os pés
Escorrega pescoço entre coxas
Me belisca, faço tudo outra vez

Não pensa, não lembra, não mede
Consequências só nascem depois
Me pede com jeito, com dengo
Um quarto, uma cama, nós dois

Mateus Medina
04/12/2012


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Se não chover



Sangram ruas rabiscadas de ira
A curtos passos, sigo a rotina
Como eu queria saber rabiscar
As paredes do meu próprio pensar

Rebeliões arrabentam avenidas
Países desconstroem suas leis
Não tivesse a alma tão puída
Talvez acreditasse em vocês

O fogo da revolta se alastra
Direitos atirados com balastras
Daqui da minha quente alcova
Só espero que amanhã não chova

Mateus Medina
27/11/2012

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Nariz de Palhaço

Ah! Se me dessem asas
Voaria por cima do muro
Roubaria teus tristes segredos
Para debaixo da minha cama
É assim quando se ama,
Quando se tem asas

Ah! Se eu pudesse viver
Do teu sorriso e nada mais
Faria cócegas nos teus pés,
Jamais faltaria vida
Para enxugar tuas lágrimas
Com meu nariz de palhaço

Ah! Se eu pudesse dizer
Tudo o que em ti me encanta
Fixar os teus olhos nos meus
Tirar deles o peso do mundo
Deitar contigo sob o sol
Que no horizonte se deita

Ah! Se me dessem coragem
Roubar-te-ia de ti mesma
Antes que a prisão se encerre
E já não possas mais fugir
Te traria para junto de mim
Faria da minh'alma teu abrigo

Mateus Medina
08/11/2012



quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Velha companhia



Esse medo qu'eu sinto, já senti
Faz tempo, mas me lembro bem
Tentou me dizer p'ra onde ir
Indicava o caminho com desdém

Como fosse uma força irresistível
Um fosso onde eu tinha que cair
Forja-me a prisão com o impossível
Sem portas nem janelas p'ra sair

Tantas foram as vezes que chorei,
Duvidei que poderia atravessar
Tantas pontes no caminho; tropecei
Sem jamais deixar de caminhar

Se debate o coração, me estonteia
Na garganta, músculos brigam por ar
Mesmo com medo injetado nas veias
Atravessei, sempre hei de atravessar

Mateus Medina
14/11/2012

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Só não eu

Hoje não quero ser eu mesmo
Trocaria de pele sem pensar
Com um qualquer aventureiro
Longe de casa, perto do mar

Ajoelho, chamo a morte a dançar
Alucino outra imagem no espelho
Se não vejo aquilo que desejo
Pisco os olhos, volto a tentar

Na beira da estrada desespero
Meu grito não se ouve ressoar
Somente o surdo cão me fareja
Trocaria com ele o meu lugar

Que ao meio-dia seja ocaso,
Fuja a luz para longe de mim
Me perderei do meu caminho,
Talvez seja guiado pelo acaso

Mateus Medina
20/11/2012





quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O que não

Doem as pernas de não caminhar
Ociosas, pesadas, esquecidas
Para o coração por não amar
Silêncio, vazio, feridas

Tortos os dedos de não escrever,
Histórias que nunca nascerão
Já não importa viver ou morrer,
Com essa atrofia nas mãos

A boca esticada de nunca sorrir
Dissimula a alegria perdida
O beijo que cala o chegar e partir,
Também cala a verdade esquecida

Rouca a garganta de nunca gritar
A verdade que se debate n'alma
Relega ao silêncio as vibrações do ar,
Que não vibra, em pretensa calma

Mateus Medina
07/11/2012

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Encurralado



Encostado no canto, temeroso
Observas o rugir da tempestade
Petrificado pelo medo assombroso
És vassalo da sua vil vontade

A inquietude baralha teus sentidos
A calma te escapa entre os dedos
É frio, o desencanto desvalido
Traz a noite na garupa; mais cedo

Brinca contigo a escuridão
Envolve os caminhos no breu
Não basta o fervor da oração
Levanta-te! Toma o que é teu!

É sabido que a vida não para
Enquanto a crise se instala

Mateus Medina
23/10/2012

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Regras do Jogo



Fraquejo em minhas promessas
Sempre que te curvas para mim
Empunhando olhos de pressa
E o teu velho vestido carmesim

Toda a minha inabalável moral
Escorre na curva dos teus seios
Meu discurso, etcetera e tal
Vai-se embora; ali pelo meio

Tudo o que a decência proíbe
Dentro de ti não faz sentido
Tudo o que a razão coíbe
Esculpe-se abaixo do umbigo

Entregue aos caprichos do fogo
Ludibrio a consciência infernal
Na mesa, as regras do jogo:
Morra o homem, viva o animal!

Mateus Medina
16/10/2012

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Cinismo abismal



Balança a ponte ao sabor do vento
Finco-lhe os pés, geme a madeira
Grita por mim o abismo sedento,
Me desejando de qualquer maneira

A morte assovia fácil melodia
Uma cantiga qualquer de ninar
Que sono me dá nessa travessia

Me encanta o abismo, tão misterioso
Debruço-me na ponte - que dança
Não sigo sozinho só por ser teimoso
É que aonde estou ninguém me alcança

Desse caminho conheço os perigos
Já o percorri de olhos vendados,
De costas com os pés feridos

Sei que a velha ponte há de ceder
Tombando para dentro do abismo
Onde houver morte há de haver
Um negro abutre de largo sorriso

Faço das sua asas meu transporte
Com o necessário cinismo
Venço o abismo, engano a morte

Mateus Medina
08/10/2012

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Só um menino

Pelo que vivemos te peço
Quando a hora chegar, não hesite
Que nenhum sentimento controverso
Segure as tuas mãos, te limite

Nada haverá que sustente
Sequer uma razão que valha
Seguir o caminho demente
Da escuridão que a alma entalha

Seja o amor que me tens
A afiada navalha do amanhã
Aliviando o inevitável destino

Antes qu'eu já não veja, vem...
Cola-se a mim como um imã
Pois então, serei só um menino

Mateus Medina
01/10/2012



quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Nestes dias



Nestes dias nublados
É bom que a chuva caia
O sangue do céu se esvaia
Para que o cinza se vá

Nestes dias nublados
O coração quase parado
Tem medo de acelerar,
Perder o passo e se perder

Nestes dias nublados
Convém a maciez da cama,
O corpo de quem se ama,
A preguiça sem culpados

Nestes dias nublados
A gula mostra-se invencível
E a força mais temível
É o descontrole inesperado

Nestes dias nublados
Não há sorriso verdadeiro,
A pálida alegria no espelho
É um reflexo irrefletido

Nestes dias nublados
Antigos sonhos regressam,
Tão impossíveis quanto antes
Deitam sobre nós o pecado

Nestes dias nublados
Era melhor não ter nascido,
Mais valia não ter umbigo
Nem cordão pra ser cortado

Nestes dias nublados
O desejo se afasta sem jeito,
O aperto toma conta do peito
Senta-se a solidão ao lado

Mateus Medina
27/09/2012



terça-feira, 18 de setembro de 2012

Por vezes



Por vezes, sem qualquer explicação
O sol brilha e ilumina
Os cantos escuros; a casa dos fantasmas
Pelas janelas entra a vida
A luz, que um dia perdida,
Lembrou-se do caminho de volta
E de repente é tudo simples, leve e iluminado

Por vezes a brisa sopra refulgurante
E no ápice de um instante; tudo desaparece
No completo vazio que me completa,
Entras de mansinho e ocupas teu lugar
Ficas, pelo tempo que tens que ficar
E quando te vais, vão contigo as sombras,
Dispersadas em qualquer outro lugar

Por vezes perco a noção - e recupero e vida
O pulsar de uma ferida que alerta
Quão pueril é o falso controle
Que nos vibrem sabores e dissabores!
O medo de encarar a ferida aberta
Nos conduz à confortável morte
Que já lá está, muito antes de chegar

Por vezes, por tantas vezes
Tenho noção da minha sorte
Em desfrutar de tão rara companhia
Tão seguro me torno em tuas asas
Mesmo sabendo qu'essa angelical beleza
Poderá me conduzir às dores, aos dissabores
Por vezes, tudo se esquece pelos amores

Mateus Medina
28/05/2012