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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A saudade é uma moeda



Há na saudade tristeza e dor,
O cinzento desespero da ausência,
O egoísmo intolerante e burro
Há na saudade inútil insistência

Que havemos de fazer com o vazio?
Como encontrar explicação?
A saudade não responde a nada
Das respostas só cria ilusão

Há entretanto um outro lado,
Posto que a saudade é moeda
Atira-se ao ar e não se escolhe
Em qual das faces se queda

Há nela também o sorriso
A lembrança infindável do amor
Há na saudade uma brisa qualquer
Que alivia a insuportável dor

A saudade é o paradoxo final
Da lembrança que torna presente
Quem já não podemos tocar

Há na saudade a essência imortal
Daqueles que embora ausentes
Jamais deixaremos de amar

Mateus Medina
06/02/2014












quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Preguiça



Hoje acordei com a chuva
E a fresta da janela me dizia
Lá fora o mundo não é p'ra mim
Deixei-me estar na cama vazia

Sem conseguir me levantar
Rolei, voltei a adormecer
Tentei por tudo voltar a sonhar
Aquele sonho que não realizei

Deixa estar, lá fora está feio
E se é preciso levantar
Fica hoje o sonho pelo meio
Amanhã há de se realizar

Mateus Medina
30/10/2014

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Lutar pela curiosidade



Tens que lutar, meu amigo. Lutar.
Há um monstro em cada esquina, eu sei
Tens pouco com o que te defender?
É o que há,
Ser criativo.
Lutar.

Diariamente, meu amigo, é assim
É violento e injusto? Não sei.
Tudo o que sei é que a estrada
Não te leva onde queres chegar
A estrada é um meio, mais nada
Tens que lutar, meu amigo
Correr

O que é que há no fim do caminho?
Ora, fazes tão boa pergunta
A resposta desconheço, amigo
O que sei é que se não deres luta
O que hoje sabes é tudo que saberás
Tens que lutar, meu amigo. Lutar.
Apenas por curiosidade. 

Mateus Medina
30/10/2014


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Meu aconchego



Serei sempre um sem rumo, sem casa
Não tenho norte, mas tenho sorte
Sem raízes, sou livre de percorrer
Os caminhos que jamais conhecerás

Não são as correntes no teu calcanhar
Que impedem que caminhes por aí
É a tua alma, acanhada e insegura
Que odeia ficar, mas teme partir

O meu cantinho, meu aconchego
Não tem nome, não é um lugar
O silêncio que aniquila o meu medo
Está nos braços de quem sabe me amar

Mateus Medina
20/10/2014

terça-feira, 15 de abril de 2014

Pela própria bala




De tantas, restou-me uma
Solitária, inerte e fria
Acaricio-lhe, olhos fechados
Tentando recordar a sensação
Do peito que acelerado ardia
Quando mais um tombava,
Quando mais um caía,
E de mim a humanidade escapava

Já sabia, quando escolhi ficar
Que iria chegar o momento
Do choro arrastado e lento,
Do cheiro desagradável...
Carne perfurada, alma que arde
Serei valente? Serei covarde?
Talvez nunca se saiba,
Talvez a bala não caiba

Restará o meu corpo jogado,
O julgamento caído por perto
Morto pela própria bala
Terei agido errado ou certo?
Uma vida por tantas outras
Em frente, seguiu o batalhão
Hão de adornar com inútil medalha
O desconhecido corpo no caixão

Mateus Medina
27/07/2013

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Os lábios dela

(Imagem dos lábios dela)


Há qualquer coisa nos lábios dela
Que ainda hoje não sei como explicar
Um poder, uma dádiva, uma vela
Que me incendeia num simples roçar

Nos lábios dela, navego sem pudor
Entre linhas de imensurável beleza
Consumido pela insensatez do amor
Creio ser os lábios dela fortaleza

Terão os lábios dela um feitiço?
Uma reza, encanto ou magia?
Pois aos meus, cabe um único ofício:
Os lábios dela, beijar; todo dia
 
Mateus Medina
14/02/2014


sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Força

Imagem por Claudia Regina (flickr.com/claudiaregina_cc)

Junto à força que tudo empurra, 
A paciência simplesmente observa
Banhada por respingos sonolentos,
Espalhados em violenta queda

Pendurados nos galhos, nas alturas
São frágeis e solitários; os pingos
Pacientes, esperam com bravura
O mergulho no infinito; outro ciclo

Mistérios mudos, impenetráveis
Desenham harmonias improváveis
Dura um, dura o outro, na dureza
Sutileza e violência, todo dia
Convivem, dançam, fazem festa
No âmago da natural poesia

Mateus Medina
31/01/2014


terça-feira, 22 de outubro de 2013

É possível



Pela minha hamartia, fui punido
Prisioneiro de uma sorte cruel
Não da morte, o temor do corrossel
Me manteve acovardado, escondido

E agora que caminho - finalmente
Confundem-se as pernas, exauridas
Tantos anos na gaiúta ali em frente
Te escondias - como eu - da própria vida

No meio do caminho nos cruzamos
Pouco importa se por sorte ou ironia,
A vida não nos deixou, por um triz

Hoje o peso um do outro, suportamos,
Aprendemos com as dores; todo dia
Que é possível ser culpado e ser feliz

Mateus Medina
22/10/2013



segunda-feira, 16 de setembro de 2013

À puta que pariu

Num macabro acaso da vida
Cruzaram meus olhos com os teus
Os meus opacos - pura neblina
Os teus cansados - gritos de adeus

Jamais te poderia ajudar
Ainda e mesmo que quisesse
Nunca aprendi o que é amar
E tu, o amor não mereces

Fomos um do outro a ruína
Doente obsessão nos consumiu
Mergulhaste na minha neblina
Mandei-te à puta que pariu

Mateus Medina
18/01/2013


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Falsas convicções




Não me julgue pela máscara,
Por um vício ou por um verso
Se no fim já não há nada
Me declaro e me despeço

Não me julgue pela dor,
Por prazeres ou defeitos
Não nasci para o amor,
Não trago coração no peito

Não julgue o meu cinismo
Como fuga ou amargor
Ele é simples amorfismo
Que a própria vida moldou

Não julgue o meu sorriso,
Como mágoa, encenação
Tenho tudo o que preciso
P'ra viver com a solidão

Mateus Medina
15/07/2013

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O meu lar


(Impression, soleil levant, Claude Monet, 1872)


Quando busco o teu rosto no mar
É que o vento que sopra, é brisa
 Vem devagar, mas sem parar
Toca o meu rosto de leve
Quedam meus olhos fechados
- É como te vejo melhor -
As ondas que quebram na beira
São inocentes, não suspeitam
Quão fundo a saudade mergulha

Sei do silêncio das pedras
Sinto-o sob os meus pés
O teu rosto flutua no azul
Qu'eu pinto p'ra te conquistar
O meu lar é o mar, a areia
Amor não é o que se semeia
Muito menos o que se colhe
Amor é aquilo que nasce
Ninguém sabe como - ou de onde

Mateus Medina
14/08/2013

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Permita-se



Mostra-me a verdade escondida,
Sei que a carregas em algum lugar
Entre o desinteresse pela vida
E o amor que nasceste para dar

Permita-me baixar tua cortina
Despir-te um dia desses qualquer
Provar em teus lábios a menina;
Em teu corpo, a força de mulher

E deixa-te dessa brincadeira;
Ser triste, esconder-se do mundo
Pois muito tens que lhe mostrar

Não deixe que passe a vida inteira
Encolhida, temendo o absurdo
Que a vida tem muito mais p'ra dar

Mateus Medina 
18/10/2012


terça-feira, 30 de julho de 2013

Cartas escritas para não serem lidas

("Brieflezend meisje bij het venster" (Garota lendo uma carta à janela),
 de Johannes Vermeer, 1657-1659)

Tudo o que jamais te contaria
Repousa agora em cima da mesa
Entrelaçados; destino e escolha
Resolvem o caminho a seguir
Através do caminho seguido

É como a vida
É como a morte

Fujo de uma e outra
Quando desisto e quando persisto
Não há qualquer explicação;
O meu sim e o meu não
São faces da mesma moeda

É como o coice
É como a queda

Está aí, em cima da mesa
Leia, se quiser saber
Queime, se tiver juízo
Mas, não me pergunte nada
Esse rio já foi desviado
E não faço ideia para onde 

Mateus Medina
27/07/2013

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Si bemol é sempre triste



Num dia desses que ficou pra trás
Minha alegria jaz, vestida de amarelo
Acorentada num qualquer sujo cais
É o espelho do meu próprio flagelo

E por mais que a tente encontrar
O mundo é outro, é outro tempo
Há muito a deixei de escutar
Hoje toco canções de lamento

E é nas cordas do meu violão
Que persisto na busca impossível
De encontra-la num Si bemol

Dedilho, corda sim, corda não
Tentando recriar o inaudível
À beira-mar, ao nascer do sol

22/07/2013

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Desmentido

Palavra às vezes me desmente
Pula boca afora sorrindo,
Rodopia contente pelo chão
Chama para si toda atenção,
À volta, é ignorado o evidente;
A alma sente diferente

Sentimento faz de mim refém,
Trepa pelo estômago acima,
Costura os vácuos que convém
Me cala, se vai e deixa a sina;
Na boca o gosto de ninguém,
A mente dispersa desatina

Palavra e sentimento em batalha
Destroem minha percepção
Vislumbres de verdade se entalham
 Na pedra basilar da razão
No fim resta apenas o retalho
Da verdade esculpida em ilusão

Mateus Medina
12/07/2013

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O que vês que eu não vejo?

Tu achas sempre que podemos
Mudar o mundo com canções
Limpando o velho pó da casa,
Mudando os móveis de lugar
Tirarando os peixes do aquário,
Liberdade! Te ouço a gritar
Como se houvesse um caminho
Onde podemos sorrir a dançar

Tu insistes em dizer que o amor
Há de sobreviver ao holocausto
Que as flores não morreram
- Nossos olhos é que não sabem ver -
Que o vendaval não faz qualquer mal
- As casas são mal contruídas -
Que o sol está lá fora a brilhar,
Mas só vemos a escuridão da vida

Tu acreditas no poder do perdão
Na doçura das palavras bem ditas
Bendita seja a tua inocência
E se tiveres, amor, paciência
Não desistas de tentar me ensinar
Que o mundo vai além do que parece
Que a alma da gente padece
Quando desiste e deixa de acreditar

Mateus Medina
08/07/2013

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Um e outro

Há em mim o que duvida das flores,
Não sente sequer o seu perfume
Duvida da vida, dos amores
Encolhe-se na escuridão - sem lume

Habita em mim o cínico descrente
Que duvida da próxima alvorada
Do leme da própria vida ausente
Tem como única certeza: O nada

Há em mim o que perdeu a esperança,
Não enxerga estradas pr'o futuro
Desdenha dos sorrisos das crianças
Nada enxerga do outro lado do muro

Junto desse há o tolo incorrigível
Que nega o que foi dito; com fulgor
E se tudo se torna incompreensível
Canta o sentido da vida: O amor

Mateus Medina
01/07/2013

sexta-feira, 14 de junho de 2013

O que gostaria

Passe por mim feito brisa,
Refrescando, mas sem esfriar
Seja paixão! Circule, deslize
Me ame, mas não me invada
Sejas sempre - e só - o que és
Não queiras ser tudo; ou nada

Quand'eu por ti passar, serei
O sustentáculo da melodia,
O dançarino desajeitado,
A voz vibrante da poesia
Isso é tudo o que sei ser,
E tudo o que (ser) gostaria

Mateus Medina
12/06/2013







terça-feira, 4 de junho de 2013

Destroços de ilusão

Corro, desesperado
Exasperando em exagero
A vida inteira fui enganado
Engarrafaram meu desespero

Se não morro, não sou culpado
Indignado, bem que tentei
Declara a lei: não sou errado,
Se amado não fui - nem serei

Ainda ontem, arrebatado
Desarrumado, o tempo gira
O arrebite arrebitado
Do arrebate é só mentira

Incompreendido, inconsolável
Abomino a nefasta ilusão
De um céu deveras inviolável
Inefável, germinado de perdão

Mateus Medina
03/06/2013







quinta-feira, 30 de maio de 2013

Não me deixe partir



Não deixe que eu parta, amor
Custa menos descer as escadas
Que subi-las cheio de rancor
Pode ser que eu deslize pra fora,
Pode ser que nunca mais me vejas
Deixe eu partir, e terás certeza

Bem sei o sabor dos teus beijos, 
O calor que me dás na cama
Mas, do que vale voar
Se à chegada ninguém te espera?
Do que vale o calor do sol
Se na sombra da árvore é frio?

Pode ser qu'eu resolva ir,
Pode ser qu'eu desista no meio
O caminho que de ti me afasta
É o mesmo que leva a mim mesmo
Não gosto daquilo que vejo
Então volto e me deixo ficar

Não me deixe partir, por favor
Tenho medo de me encarar

Mateus Medina
30/05/2013